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O desafio do novo

por Brina P. Barbosa, Carlos Sette e Jorge Martins

08/09/2020 - 05h00

Observamos, no momento atual, a maior recessão mundial em tempos de paz. Nessa crise, a retração levou ao fechamento de grande parte do comércio de bem e serviços, restringindo o consumo de forma drásticas. Com isso as receitas das empresas desabaram e são insuficientes para custear as despesas, elevando a possibilidade de inadimplência.

Esforços de todos os lados estão sendo feitos para encontrar uma estratégia de saída que possa evitar um mal maior. Já se sabe pelos números de julho, que o país deverá crescer negativamente entre 5 e 6% nesse ano, dependendo de quando podermos ter uma retomada sustentável. O nível de emprego acompanha esse ritmo e deverá chegar no final do ano a 13,5% da população econômica ativa.

Neste momento, descobre-se que ficar fechado em casa por um longo período, com as atividades econômicas seu movimento, traz consequências desalentadoras para ambos os lados. Ninguém será o mesmo quando tudo isso acabar, nem mesmo a economia. Observando o movimento, podemos ver alterações em pelo menos três dimensões: cidadão, empresas/trabalhadores e consumidores.

Os cidadãos, as pessoas, provavelmente estarão mais próximas de uma vida simples e mais natural, que vai afetar seu estilo de vida daqui para frente, muitas reverão seus valores e suas crenças, o que vai mudar o consumo. Se esbarrarão no "analfabetismo" emocional o que significa que precisarão cada vez mais desenvolver suas individualidades para conseguirem ter relacionamentos saudáveis. Por conta do medo do contágio entraremos talvez em uma onda um pouco mais conservadora quando se diz respeito às relações.

Na esfera das empresas e do trabalho por todo o país, muitas pequenos e médios negócios já quebraram ou estão por quebrar. A falta de capital de giro está sendo determinante para isso acontecer. A execução de projetos de investimentos tanto do setor público como privado foi adiada. Percebemos um grande foco na área de tecnologia, as empresas que se destacarão são aquelas especializadas em softwares e inteligência artificial.

Do lado do trabalhador, muitos já perderam e ainda continuarão a perder seus empregos. O seguro desemprego bancará de forma precária o problema por um tempo, mas depois que ele acabar verão a realidade de uma recessão batendo a suas portas. Em setores sofisticados, os trabalhadores tiveram que se adaptar ao home office e algumas técnicas de operar à distância.

Mudanças no mercado, reuniões virtuais e atividades remotas ganharam força com o isolamento social e devem permanecer na rotina dos trabalhadores. Um trabalho menos hierárquico e mais colaborativo está surgindo. Finalmente, o consumidor, além da mudança de hábitos, também estará alterando a forma de comprar, entrando firme na direção do e-commerce e dos novos canais de comercialização.

Aumentaram as compras online, passaram a usar meios digitais de pagamentos. A crise do covid 19 fez com que a transformação digital do varejo se tornasse prioridade para poder manter os negócios. A pandemia está remodelando a forma como nos relacionamos com o mundo, com os outros e com nós mesmos. Concluindo, sairemos da crise muito mais pobres. Ao mesmo tempo, o país será ainda mais desigual: o desemprego vai crescer e a tecnologia avançará na direção da automação.

A pergunta que se faz: Como recompor o futuro da nação? Nos dando a chance de criar novas narrativas para o conceito de humanidade e novas maneiras de enxergar o mundo. Pelo olhar dos especialistas, no lugar onde vamos desembarcar, o professor, a ciência e o feminismo são valorizados, buscamos o essencial e as relações são mais empáticas. É possível enxergar beleza em meio ao caos.

Ao que parece, vamos atravessar essa tempestade.

Mas, depois da travessia, será diferente.

Os autores são Brina P. Barbosa (psicóloga), Carlos Sette (economista e diretor de empresa) e Jorge Martins (economista/ coordenador financeiro).

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