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Não há o que comemorar

por Maria América Ferreira

11/09/2020 - 05h00

Parece que não é tempo de festas. Não há nada para comemorar neste período tão sombrio, quando a morte ronda todos os cantos do mundo. E, ainda assim, tem gente que pensa que pode tudo e que nada vai acontecer. O que será isso? O limite da prepotência e do egoísmo? Só pode ser. Alguém achar que é imune a esse vírus que se espalhou rapidamente fazendo milhares de vítimas em todos os países é no mínimo insano. E, pior, achar que está levando vantagem em relação aos outros que se cuidam, têm receio e procuram de todas as formas proteger a sua família, é o máximo da insanidade.

É lamentável que a humanidade tenha perdido a capacidade de distinguir o agir de maneira coletiva e pense que só cada um é importante. A cada ser contaminado e doente, é mobilizada uma legião de profissionais na tentativa de salvar a vida desse indivíduo. Aí vão dizer, ah! Mas morre gente todos os dias. Morre mais gente de acidente do que dessa doença. Morrer todo mundo vai. E segue por aí a linha de raciocínio tosco.

Indiscutível que todo mundo vai morrer um dia. Aliás, essa é a única certeza da vida. Mas, daí a colaborar para reduzir o tempo de vida das pessoas, por conta da irresponsabilidade, do egoísmo e do individualismo, é algo assustador. E isso não é 'privilégio' do brasileiro. São poucos os países em que as pessoas se solidarizam umas com as outras e tentam evitar a todo custo a propagação da doença.

No início da pandemia, era geral a manifestação das pessoas que acreditavam na transformação da sociedade. "Esse vírus veio para mudar a humanidade". Ledo engano. O que se vê depois de seis meses dessa pandemia, é o total descaso das pessoas em relação a elas mesmas e aos seus. A necessidade de se sentir acima de qualquer contaminação leva a reações no mínimo estapafúrdias. "Vocês são otários", dizem a quem ainda mantém o isolamento e usa máscaras nas ruas.

Infelizmente, o que dá para concluir é que a humanidade está mesmo doente. Não por conta de um vírus. Por conta da ignorância, do egoísmo, do ceticismo e da falta de capacidade de pensar no outro. Portanto, quem é chamado de otário, se puder, continue em casa, use máscaras e proteja a família. Quem não pode ficar em casa e precisa trabalhar, boa sorte. Os outros são apenas os outros.

A autora é jornalista, colabora com Opinião.

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