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A miséria humana

por Henrique Matthiesen

13/09/2020 - 05h00

Nada mais complexo, intrincado e enigmático do que a espécie humana, Dentre as quase oito milhões de espécies de animais viventes no planeta Terra, o homem é o único animal capacitado de consciência e controle instintivo inerente da espécie humana, tema exacerbado da filosofia e da literatura, a consciência na reprodução simplista e a soma do com ciência, ou a percepção dos fenômenos da existência; opondo-se à insciência, ou seja, capacidade de discernir.

Correlato às conceituações de moral, não há exercício de consciência sem princípios morais; há uma conexão umbilical sobre estas duas conceituações. Entretanto é perceptível analisar que moral é cunhada no ambiente o qual se coexiste, e que é construída com usos e costumes principiológicos destes ambientes. Há regras morais específicas nas máfias, nas igrejas, nas milícias, nas empresas, no fracionamento social, e há conceituações de moral universal que regem, hoje, a humanidade.

Da mesma forma é conveniente ponderar os três eixos da moral, como por exemplo: toda criança, em seus primeiros anos, são seres amorais; evidentemente, que moral sendo um conjunto de normas e regras, as crianças - em seu desenvolvimento pueril - não as possui, pois são ainda desprovidas de consciência, e estão em fase de aprendizado.

A moral é conceituada como valor central de bem, que pode ser entendida como tudo aquilo que promove e desenvolve o ser humano, assim como o imoral, o inverso, é tudo que foge às regras de conduta tidas como verdade social. A miséria humana está na amoralidade inadvertida e na imoralidade consciente, ou seja, na ação neocentrista de um comportamento voltado exclusivamente para si, ou tudo que lhe diz respeito, desprovido completamente do que o circunda, sejam pessoas, instituições ou sociedade.

Miseravelmente são os despossuídos de qualquer senso moral ou implicitamente imorais, incapazes de possuírem empatia ou humanidade. São adjetos existenciais, são aflorados da vaidade ignorante, que representam toda sua profundidade de egocentrismo miserável.

Mãe de toda miséria humana está a corrupção. Tanto pequena quanto a grande, a ação devasta, arruína e aleija ambientes, instituições e sociedades. Intimamente ligada ao desprezo da existência do outro, desabastada de sentimentos humanitários, indigente a qualquer senso ético ou moral, empobrecido e miserável solidão, acompanham a miserabilidade destes indivíduos. Carcinomas sociais contaminam, corrompem, fraudam qualquer espaço, pois para estes miseráveis não importa o quão desarmoniosas ou o quão destrutivas suas ações egocêntricas vaidosas e imorais provocam, até porque a única coisa que importa é o abastecimento de seu ego insaciável. Afinal, são miseráveis, paupérrimos de humanidade e dignidade.

O autor é bacharel em Direito, pós-graduado em sociologia

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