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Doce, mas não dócil

por Vânia Figueiredo

20/09/2020 - 05h00

Através de inesquecíveis mestres bauruenses eu tive a honra de mergulhar por dez anos no universo das trovas. Refiro-me a grandes luminares como Ercy Marques de Farias, presidente da Seção UBT Campinas; João Batista Xavier de Oliveira e Eulinda Barreto Fernandes, alicerces do grupo que começou como pequena Delegacia para chegar ao que é hoje; Antonio Valentim Ruffato, o brilhante trovador que, com Ercy Farias, é membro efetivo da Academia Bauruense de Letras.

A esses incomparáveis mestres eu devo a oportunidade de ter podido criar em Campinas, onde vivo agora, a Seção UBT Campinas, imortalizada no CMU - Centro de Memória da Unicamp. Doce na sua expressão dos sentimentos mais nobres, a trova não é dócil, oferecendo contínuo desafio aos trovadores, por mais experientes que sejam, para obedecer aos padrões estabelecidos. Foi um poeta que se eternizou em seu pseudônimo, Luis Otávio, o idealista que em 1960, juntamente com amigos ilustres como J.G. de Araujo Jorge, criou a União Brasileira de Trovadores - UBT, libertando definitivamente a trova da quadrinha portuguesa. Assumia, também, autoridade máxima para garantir à trova seu merecido lugar no universo literário, reconhecida hoje pela Organização Mundial de Trovadores - OMT como trova clássica. Trata-se de uma poesia com sentido completo contida dentro de apenas quatro linhas, ou versos, cada uma com apenas sete sílabas sonoras e não simplesmente gramaticais. As normas da UBT são extremamente rígidas quanto à métrica e a rima, fora das quais qualquer composição de quatro linhas não pode ser considerada trova. Muito se poderia juntar a esses esclarecimentos, como é o dever prazeroso de todo dirigente trovador.

Para sintetizar melhor o conceito de trova doce, mas não dócil, vale mostrar o que disse um ilustre magistrado, Adelmar Tavares, que ascendeu à Academia Brasileira de Letras pelo mérito de suas trovas:

'Oh linda trova perfeita// que nos dá tanto prazer.// Tão fácil depois de feita,// tão difícil de fazer.'

A autora é presidente da Seção Campinas da União Brasileira de Trovadores - UBT, membro correspondente da Academia Bauruense de Letras

 

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