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Covid: em quem acreditar?

por Helder Fernandes Aguiar

20/09/2020 - 05h00

Esse ano não vai sair da cabeça de nenhum ser humano que tenha um mínimo de capacidade de entendimento e discernimento.

Que loucura o que estamos vivendo; quando se falava em curva ascendente, pico, platô, eu, na clínica diária, pois não deixei de consultar um dia sequer, poucos pacientes me levaram a pensar em coronavírus e Covid-19; sim, é verdade que não tínhamos em abril, maio as facilidades que temos agora para pedir exames, Sorologia e o Swab Nasal, o PCR. Agora que supostamente estamos na descendente, não há um dia que não solicito os tais exames, pois penso seriamente ser um doente com o coronavírus; é verdade que no início o volume de doentes no consultório era bem inferior ao número de agora.

Dr., estou sentindo isso! Pode ser Covid? Que resposta complicada: tudo pode ser Covid, até não estar sentindo absolutamente nada. A doença passou por renomados profissionais médicos dizendo ser uma "gripinha" e alguns tiveram a hombridade de se desculpar, outros não, até outro que fez previsão apocalíptica de 1,5 milhão de mortos no Brasil. Não há relato de uma doença tão letal para médicos e profissionais de saúde; passamos de 240. Que gripinha letal.

2020 e a Covid desafiaram cientistas do mundo todo; a Coalizão Covid feita no Brasil testou medicamentos, entre eles a Cloroquina, publicou que não tinha eficiência comprovada e agora está sendo duramente contestada por infectologistas que entendem que vários estudos da Coalizão estavam usando metodologia inadequada e cobram retratação em revistas científicas.

Quantos se privaram de ver seus pais, seus filhos, amigos, compadres, por medo de se contaminar ou estar contaminando? Idosos em clínicas que não podem ver seus filhos, sabendo que lhes resta pouco tempo de vida e, do outro lado, os filhos não podendo curtir fisicamente os últimos dias, meses ou anos dos pais. Isso, com certeza, vai deixar marcas profundas. Quantas vidas o isolamento social salvou? Não sei! Alguém sabe com certeza? Esse aumento do arroz, tão falado, está na conta da Covid ou na alta do dólar que faz o produtor exportar para mais lucrar?

A fome, o desemprego realmente matarão mais do que o coronavírus, ou será mais um jogo sujo de alguns políticos para atrair votos para a sua campanha? Desemprego, fome, linha de pobreza, isolamento social, distanciamento, quarentena, cloroquina, ivermectina, dexametasona, vírus fabricado e outros nunca serão esquecidos e mal falados.

Temer a doença? Na minha opinião, temer não, mas respeitar sim! Não negligenciar seus sintomas, não acreditar que um remédio da farmácia da esquina vai resolver; mas lavar as mãos, usar máscaras sempre que necessário e de maneira correta, álcool gel nas mãos e móveis, evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, são medidas simples, que todos podem fazer e dormir um pouco mais tranquilos.

Que Deus nos ajude!

O autor é otorrinolaringologista

 

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