Bauru e grande região

 
Articulistas

Manifesto de Bauru (Mensagem do Dia do Professor)

por Ana Maria Daiben, Carlos Sette, Denis Dos Santos Rosa e Rubens Ulbanere

15/10/2020 - 05h00

Época de transição política, com propostas de retorno ao passado, remoto e recente (2018-2022). Momento de crise, oportunidade para mudança. Nas últimas seis décadas prevalece a política do "nós contra eles". Primeiro, governo dos artífices do golpe civil militar (1964 a 1985) e, em seguida, o governo dos que lutaram contra o regime militar (1985-2018), todos do mesmo viés político. Entretanto, nesse largo período, muitas lideranças foram afastadas do cenário político pelos dois lados. Entre tantos, por exemplo, milhares de membros da Juventude Estudantil Católica (JEC e JUC), considerados "comunistas" pelos primeiros (por denunciarem a desigualdade) e "conformistas" pelos segundos (por se negarem a pegar em armas e lutar contra o regime militar). Na realidade, ausência da maioria, cidadãos da sociedade brasileira, consequência do desvirtuamento do debate político. Dado o desinteresse pelo destino do país, em mãos de salvadores da pátria. Por outro lado, há novas escolhas, privilegiando um equivocado culto à juventude, como se a história não incorporasse saberes só adquiridos ao longo do tempo. A falsa dicotomia entre o velho e o novo.

Com tal diagnóstico, um grupo de seniors ligados, principalmente, à área de educação, lança um projeto inovador para resgate do debate político qualificado, apontando soluções tão oportunas quanto possíveis, para as quais já estamos prontos e não somos informados por manipulada rede global.

Os objetivos não visam formação ou restabelecimento de qualquer tipo de agrupamento. Ao contrário, com todo respeito. Fomentar o debate político significa dialogar sem medo das diferenças ideológicas que perfazem a visão de mundo de cada um de nós. Política é compreender controvérsias e resolver dilemas, elencar a prioridade das necessidades e otimizar a aplicação de escassos recursos. Tudo isso, em coordenação harmônica de poderes constituídos pelo Estado de Direito. Não pelo discurso vazio de partidos anacrônicos cacifados por políticos profissionais, voltados ao interesse próprio ou tretas de quadrilha. Mas, sim, orientados pela ciência adquirida em várias áreas de estudo, formação dada em muitas cidades, grandes e pequenas, e em todas as regiões. Estamos prontos, muitos para elaboração dos projetos mais adequados à realidade conhecida por todos e, outros tantos, para auditar e corrigir a execução, permitindo a justiça célere. Em outras palavras, é a hora de uma efetiva descentralização do poder e empoderamento do cidadão de boa vontade. Convocar pessoas responsáveis à uma Constituinte 2022, com vistas à implantação das verdadeiras reformas necessárias, adiadas por preservação de privilégios inadmissíveis, inclusive para o voto distrital puro. Política não é para amadores nem para profissionais. Um renovado e urgente Pacto Federativo.

Os autores são, respectivamente, pedagoga, mestre em Educação; economista e diretor de empresas; economista e filósofo; doutor e livre docente em Administração - Unesp

Ler matéria completa