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Ode ao professor

por Joaquim Eliseo Mendes

16/10/2020 - 05h00

ontem, 15 de outubro, foi o Dia do Professor. Afinal, quem sou eu para compor uma ode lírica e merecida ao Professor; seria como um grão de areia ter a pretensão de falar ou escrever sobre o universo. Sua imensurável grandeza só pode ser cantada por um poeta com inspiração divina que o enxergue não apenas como um profissional injustiçado e desvalorizado com o que ganha, mas sob outras dimensões. Quero que esse poeta veja como eu o vejo. Aquele professor daquela escolinha que funciona em uma palafita no Amazonas, em uma escola de Bauru, na Bolívia, China, Patagônia, Índia, assim como nas universidades Harvard, USP, Unesp, Oxford e faculdades como USC, ITE, FIB e milhões de escolas dos mais variados níveis com o tripé professor-aluno-currículo. Que tenha uma visão global e não pontual do professor.

Dos problemas variados que muitas vezes não pode resolver, mas apenas minorar; das alegrias com o desempenho e projeção de seus alunos, assim como com as decepções quando é desrespeitado, hostilizado e agredido física, moralmente e incompreendido muitas vezes pela família. E, interessante, se esse poeta tivesse a oportunidade de perguntar aos professores citados se estão satisfeitos em "ser professor" ou se gostariam de mudar de profissão, ficaria surpreso com as respostas quase unânimes de um "não". Só quem é ou foi professor pode explicar a importância dessa negação e a disposição de continuar no exercício desta profissão que é um verdadeiro sacerdócio. Talvez afirme ser a projeção de sua pessoa em alguns alunos, a empatia com a classe ou turma, a transcendência do amor com os mesmos, estejam eles na infância, adolescência ou idade sênior, enfim, em qualquer faix etária.

Porque o denominador comum em todas elas é o amor, este sentimento maravilhoso que a inteligência digital não consegue transmitir ou passar por ser uma exclusividade e talento do homem e do animal. Formado há sete décadas pela Escola Normal "Dr HilmaR Machado de Oliveira", de Garça, lembro-me ainda daqueles professores do grupo escolar, ginásio e curso normal que marcaram minha vida. Qual outra profissão que proporciona essas maravilhosas lembranças, assim na minha como também em sua vida, querido leitor? É importante que esse sonhado poeta lírico na composição da ode tenha conhecimento da sobrevida que tem o professor, pois após sua morte ele continua vivo, sempre lembrado com carinho e reverenciado pelos seus antigos alunos, enquanto eles viverem. E como é reconfortante o reencontro ocasional com um antigo aluno, seja de qualquer grau, quando ele assim se expressa "Professor, o senhor se lembra de mim? Hoje estou trabalhando em... ou como..." . Tivesse eu tido oportunidade, pois sou de família humilde, talvez tivesse me habilitado para outra profissão e não ao magistério. Mas naqueles tempos, nas cidades médias, somente havia duas opções para se seguir: ser contador ou professor. Não me arrependo, sou feliz e sinto orgulho quando a mim se referem Professor Joaquim. E se esse poeta me perguntasse se agora optaria por outra profissão, ele ouviria um solene "NÃO'.

Pois sem o saber e pretender eu nasci, vivo e morrerei educação. Querido Professor Desconhecido do mundo inteiro, viva o nosso Dia! Parabéns!

O autor é professor, membro da ABLetras.

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