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Antes de tudo, a humanidade

por Adriana Silva

25/10/2020 - 05h00

Ainda que no formulário me perguntem o nome, o sexo, a cor da pele e o país onde nasci, com o objetivo de me identificarem, minha humanidade é o que me iguala a todos aqueles que diversamente respondem a esses questionamentos identitários. Somos todas as diferenças possíveis derivadas da maior igualdade: a humanidade. Quando dispostos a colocar o ser humano em primeiro lugar, como passo iniciante rumo à transição entre o atual modelo de cidade e a verdadeiramente humana, os autores do livro "Seis Passos para a Cidade Humana" desejaram intensificar a importância desse avanço, certos de que isso feito, uma imensidão de problemas se esvairiam.

Colocar o ser humano em primeiro lugar é deixar para trás o pré-conceito. É se propor a quebrar velhas e obsoletas redes de conversações que de tão repetidas carregam, por gerações, assertivas que não nos representam mais. Os rótulos não se sustentam enquanto verdades, só superam o tempo, propagados de um em um, reiterando os interlocutores como soberanos em relação aos conteúdos enunciados.

O racismo não faz qualquer sentido. Mas ele existe. Isso porque a condição de humanidade está sobreposta por outras articulações sociais que favorecem grupos ou simplesmente enaltecem sujeitos ardilosos. Enquanto ideia, o pré-conceito é frágil, mas não sucumbe porque ainda segue poderoso nas redes de conversações.

Validar que o ser humano não tem ocupado o primeiro lugar nas composições societárias é ato corriqueiro. Um dia apreciando os informativos e ali se destacam práticas em que as instituições predominam. Países que valorizam o poder político ao bem-estar de suas populações. Empresas que priorizam o lucro aos resultados benéficos à sociedade. Modelos de negócio que perpetuam as pirâmides sociais. As mudanças necessárias seguem estagnadas porque seguir em frente significa colocar o ser humano em primeiro lugar e o saldo desta prática desestabilizaria o status quo, em especial aquele que sugere deixar como está para ver como é que fica.

Colocar o ser humano em primeiro lugar contrapõe o deixar como está e propõe revisões profundas e estruturantes nos micros cenários das localidades e na macro concepção planetária. É revolucionar no campo das ideias. É mudar o estado atual de coisas com poética, com sentimento de altruísmo, com empatia e, como não evidenciar o amor em seu estágio pedagógico, aquele que na sua essência, significa "colocar o ser humano em primeiro lugar".

A autora é educomunicadora, pesquisadora na área de identidades culturais e gestão pública do IPCCIC ([email protected])

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