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Segundo turno é uma nova eleição

por Maria América Ferreira

17/11/2020 - 05h00

Como diria a minha avó: "Não adianta chorar o leite derramado. Agora é limpar o fogão". Passado o primeiro impacto com o resultado das eleições locais, o que se tem pela frente são dois candidatos no segundo turno disputando a vaga da prefeitura. Esse é o fato. Se os dois estão lá é porque a maioria escolheu. Em duas semanas eles terão que recomeçar as campanhas e provar a que vieram. Vale prestar atenção nas alianças.

Nas redes sociais explodem os comentários a favor ou contra, mas o que conta são os votos. Se o povo não sabe votar, é uma análise relativa e simplista e depende do ângulo que se avalia. O que interessa agora é que dois candidatos querem a prefeitura e só um vai assumir.

Outra colocação feita por eleitores é: O que uma jornalista vai fazer na prefeitura? O mesmo que um oftalmologista. O que isso significa? Significa que ambos têm as mesmas possibilidades, uma vez que foram os escolhidos. Com experiência ou sem experiência, administrar uma cidade com 400 mil habitantes vai depender da habilidade e do jogo de cintura para não se deixar levar por outras interferências. E mais, uma cidade não funciona como uma empresa, como dizem alguns. Em uma empresa, qualquer que seja sua composição, o que se busca é o giro de capital, a produção e, finalmente, o lucro. Uma cidade vive da arrecadação de impostos e verbas estaduais ou federais.

Não se pode esquecer que um prefeito não faz absolutamente nada sozinho. Ele depende da equipe que vai assessorá-lo e da atuação da Câmara para aprovar seus projetos. Então, não adianta criar histórias mirabolantes. Mais um fato: a eleição municipal é decidida de forma desvinculada dos Governos do Estado e Federal.

Em cada município os eleitores votam em pessoas e não em partidos. Finalmente, há que se considerar a rejeição ao atual prefeito que disputou a reeleição. Em algum momento ele se perdeu. Ou não fez o que a população queria ou apenas se omitiu. Quanto aos votos brancos, nulos e abstenções, não há o que questionar. Não gostou de ninguém, não votou. Esse total provavelmente seria pulverizado e não mudaria o quadro.

Em se tratando da composição da Câmara, há que se ter em mente que os escolhidos nem sempre são os preferidos da maioria. O sistema de quociente eleitoral acaba deixando de fora candidatos que tiveram uma boa votação. Resta saber se os eleitos vão trabalhar para a cidade, ou se apenas buscam obter vantagens.

A autora é jornalista. 

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