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A prisão dos algoritmos

por Ivan Mouta

21/11/2020 - 05h00

A definição de algoritmo é muito simples: é uma sequência de ações executáveis, que buscam atingir uma finalidade, essas ações precisam ser finitas e realizadas sistematicamente. Complicado? Nem tanto. Uma receita de bolo, um manual de instruções, são exemplos de algoritmos. Outro exemplo: quando ligamos nosso computador, há um software, baseado em algoritmos, que é executado, fazendo toda aquela verificação, antes de podermos começar a utilizá-lo. O termo, evidentemente, é muito mais relacionado aos aspectos tecnológicos, do que ações simples do nosso dia a dia.

Os sites, aplicativos, redes sociais e o Google, se utilizam de algoritmos para, através dos rastros virtuais que deixamos e dos conteúdos que mais acessamos, nos direcionar no caminho mais fácil e adequado para todos nós. Através de Inteligência Artificial somos "catalogados" e nos é, prioritariamente, exibido e oferecido aquilo que está de acordo com nosso gosto pessoal. Mas isso, aparentemente, não é nada demais, afinal facilita nossa vida, nos dá a sensação de relevância e uma certa exclusividade. Tem bons aspectos sim, mas, também, nos limita a ver só o que apreciamos e não somos instigados a ver outras possibilidades, outros caminhos.

O Google, por exemplo, através de seus algoritmos, nos apresenta os resultados de acordo com a relevância daquilo que estamos pesquisamos e também leva em conta nossas preferências enquanto usuários, a qualidade do conteúdo e nossa localização, entre outros critérios. Já as redes sociais, onde dedicamos boa parte do nosso tempo, pela imensidão de conteúdo que está lá é totalmente impossível acompanharmos tudo que é publicado e através de algoritmos específicos, elas nos mostram aquilo que está em linha com nosso perfil, em consonância com as nossas práticas, preferências e engajamentos. Existem ainda os aspectos publicitários, relacionados às publicações patrocinadas, que são direcionadas aos seus públicos-alvo, que, às vezes, nos incomoda, mas faz parte do jogo.

O problema por trás disso tudo é que, de certa forma, isso nos coloca em bolhas, onde só temos contato com informações (verdadeiras e falsas), opiniões e compartilhamentos que são de acordo com nosso pensamento, nosso interesse e nossas predileções. E quanto mais acessarmos essas publicações, mais na mesma linha nos será exposto, num círculo vicioso. Isso torna nossa vida menos interessante, nos fecha em nossas posições e ideias, nos tornando pessoas míopes, limitadas a um só ponto de vista. Isso é o que mais vemos atualmente, grupos com concepções formadas, que não aceitam teses contrárias, nem muito menos se propõem a rever alguns conceitos. As discussões têm sido muito ásperas e desrespeitosas, onde quem grita mais alto espera vencer o debate e impor sua visão à parte contrária.

Numa exposição de pensamentos é de suma importância ouvir a opinião das outras pessoas, não é preciso concordar, mas é necessário respeitar e não há nada de mau em mudarmos de posição, uma vez ou outra. Isso faz parte da nossa evolução, do nosso crescimento como pessoas e como sociedade. Precisamos controlar as paixões que nos movem, fazer o bom debate e não nos fecharmos em casulos. A vida pode ser muito mais interessante quando estamos abertos a novas perspectivas, recomeços e dispostos a trilhar novos caminhos.

 O autor é colaborador de Opinião

 

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