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Somente propostas de intenções

por Pedro Grava Zanotelli

25/11/2020 - 05h00

Milhões de eleitores estarão elegendo os prefeitos de milhares de municípios brasileiros com base no que os candidatos chamam de planos de governo ou proposta de governo, que na verdade são apenas propostas de intenções. Baseados nas reclamações da população eles manifestam a intenção de resolvê-las. Todos vão melhorar o transporte urbano; abastecimento de água; atendimento à saúde, fornecimento de remédios; asfaltar as ruas, construir escolas; apoiar o esporte e a cultura, criar empregos etc. Como os problemas a enfrentar são os mesmos, cada um procura apresentar-se dizendo ser mais capaz que o outro para resolvê-los.

O plano de governo é um documento exigido pelo TSE dos candidatos a cargos do Executivo, mas a lei só exige a apresentação do plano e prestação de contas. Não há nenhuma exigência de formato próprio e nem de responsabilização pelo que for proposto, logo, é um plano para inglês ver. Como são apenas intenções, sem respaldo em estudos de viabilidade técnica, financeira e humana, elas acabam por servir somente para a dedução das tendências políticas e ideológicas dos candidatos. A direção do voto, portanto, é mais influenciada por afinidades com essas ideias, proximidade pessoal do candidato ou falta de opção.

A profusão de partidos, com nomes de fantasia, é a responsável pelo elevado número de candidatos tanto a prefeitos como a vereadores, com evidente despreparo para o cargo, somente para fazer política com dinheiro público dos fundos partidário e de campanha. Muitos candidatos a vereador são indicados apenas para servirem de cabos eleitorais, sem a mínima condição para o cargo. A ministra Cármen Lúcia, quando presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou "a organização dos partidos brasileiros, cuja pouca diversidade, mesmo com grande quantidade, seria um dos principais fatores da crise de representatividade política pela qual passa a democracia no país".

Plano de governo ou plano de ação é coisa mais séria. Tecnicamente ele é parte do plano estratégico, que é atribuição do partido. O partido, como organização é que deve juntar as suas ideias num plano estratégico definindo sua visão de futuro, sua missão, seus valores e metas a serem alcançadas. Com ele é que deve orientar e exigir dos diretórios regionais a elaboração de planos de ação nos níveis municipal, estadual e federal. Em cada nível o partido deve ter gente do quadro associativo capacitada ou contratar especialistas para a elaboração do plano de ação, que deve servir como bandeira de campanha e instrumento para a transição no caso de vitória. Como nada disso é feito e somente no ano eleitoral, depois que a imprensa começa a avisar que podem perder o prazo, é que vão escolher os candidatos, verificar quais são as maiores reclamações do povo e prometer resolvê-las, expressando suas intenções em promessas como sendo o plano de governo.

Apenas como sugestão: ao dar o voto, leve mais em conta a confiança que o candidato inspirou e não o que ele disse.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.

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