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Amamentação e imunidade na pandemia

por Marcela R. de Camargo

09/01/2021 - 05h00

Muitas são as dúvidas sobre a Covid-19, mas muitas também são as pesquisas.

De acordo com artigo científico publicado recentemente (julho 2020), os prejuízos são maiores se a mãe que contraiu a doença é privada de amamentar seu bebê. Os prejuízos atingem tanto as mães que, sob estresse de separação, diminuem a produção de leite e mecanismos de defesa contra a doença, quanto para o bebê, que se sente inseguro e desenvolve um alto nível de estresse, trazendo consequências ruins desse processo. A privação do aleitamento materno, nesse caso, leva ainda a uma gama de consequências que envolvem de forma direta e indireta toda a família, aumentando as chances de disseminação e contágio da doença. A não amamentação pode ainda levar a uma sobrecarga no sistema de saúde, uma vez que aumenta o estresse do bebê. Amamentar acalma mãe e filho, o contato pele com pele gera inúmeras respostas fisiológicas, que dão sensação de bem-estar. É quase igual comer chocolate!!

A amamentação só traz benefícios para ambas as partes, mãe e bebê. Além do alimento já estar pronto, na temperatura ideal e com todos os nutrientes que o bebê precisa, é através do leite materno que o bebê recebe prontas as defesas necessárias para não ficar doente. O leite materno é como se fosse um soro, com diferentes tipos de anticorpos e células de defesa já preparadas para "atacar o inimigo". O sistema de defesa de um bebê ainda é imaturo, ou seja, ineficiente para lutar por conta própria.

Dessa forma, as vacinas que a mãe toma e os microrganismos aos quais a mãe é exposta geram uma resposta imune, que é automaticamente passada para o bebê quando amamentado, diminuindo as chances de infecção e complicação de doenças não graves.

Mas também é importante lembrar que isso não impede que o bebê adoeça, caso seja exposto à doença. Ou seja, o cuidado com os pequenos deve ser sempre redobrado, principalmente no que diz respeito à Covid-19, a qual ainda não se sabe muito sobre seu comportamento.

Vale ressaltar ainda que, de maneira nenhuma, a mãe com a doença deixe de tomar todas as medidas necessárias de precaução para não transmitir a doença. E sempre seguir as orientações da equipe médica responsável.

 A autora é colaboradora de Opinião.

 

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