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O que vamos fazer com o legado de Prometeu em 2021?

por Antonio Carlos da Silva Barros

09/01/2021 - 05h00

Estamos começando um novo ano, com muitos sonhos e desafios a serem vivenciados, cada um na sua realidade pessoal. Mas o que vamos fazer com o legado de Prometeu para nossa Humanidade e, em especial, nosso Brasil? Dois irmãos, na visão grega, receberam a incumbência de criar os seres vivos e dar a cada um seu dom, são eles: Prometeu e Epimeteu. Ao primeiro, coube a condição de antever o futuro; e, ao segundo, uma visão vinculada ao passado. Ocorre que, enquanto Prometeu criou os seres da argila com sopro de vida da deusa Atenas, Epimeteu tinha que dar o "dom" para cada animal. O ser humano ficou por último e "sem dons", recebendo a intervenção de Prometeu, que lhe garantiu o "fogo" e o "dom da antevisão". Assim, somente este ser pode olhar para o futuro, fazer previsões e planejamento a partir do seu próprio presente. Infelizmente, também tem que conviver com "todas as doenças" que saíram da Caixa de Pandora e lutar pela preservação da "Esperança", que ficou na referida caixa. Prometeu está solto em nossos tempos, fazendo novas intervenções em nossas vidas, quando usamos nossa sagacidade para criar novas plataformas que interferem na história; em especial, atualmente, a tecnologia. O que vamos fazer com o Facebook, Twitter, Google, Instagram, Youtube, e-mail, e outras plataformas que complementam as redes sociais? Levamos o celular para nossa sala, cozinha, quarto e não o tiramos de nossas mãos, desesperados por alguma notificação. Criamos um "novo normal" no qual estão inseridas as tecnologias do dia a dia. Prometeu veio com força em nosso cotidiano e a pergunta, nessa primeira semana de 2021, é o que fazer com seu legado? Vamos ser "conduzidos" pela máquina e nos tornarmos dependentes de suas ações? Vamos aprender a controlá-la para vivenciar o presente de nossas relações sociais? Dar um "abraço" ou dar "click"? Dizer que "amamos" ou enviar um "emoji"? Prometeu deve estar preocupado com tantos "fakes" que criamos no ano que se passou. Eu te convido a assistir a obra "O dilema das redes" e rever seus posicionamentos frente às tecnologias e redes sociais. Prometeu lutou para que, firmes no presente, olhássemos para o futuro com diligência, zelo e sabedoria. Ao olhar "apenas" para o celular e a tecnologia que expressa, esqueço de viver o presente. Esqueço de pensar a vida e seus valores. Esqueço de olhar para dentro da minha experiência pessoal humana, que clama: Não perca o legado de Prometeu. Não perca a "Esperança"!

 O autor é mestre, professor do Centro Paula Souza, e filósofo 

 

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