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Bom para crianças e adultos

por Antonella Bongarra Nunes

10/01/2021 - 05h00

Você parou para pensar como as crianças estão lidando com o isolamento social? Nem sempre separamos um tempo para pensar nos pequeninos e no quanto esta situação em que estamos vivendo pode ser difícil para eles. A forma como a criança reage às adversidades pode variar de acordo com a idade e experiência de vida, mas especialistas alertam que essa quebra na rotina pode deixá-la estressada. Elas estão longe dos amigos e, em muitos casos, impossibilitadas de sair para brincar.

Muitas crianças sentem os reflexos do que está acontecendo na família. É necessário conversar com elas sobre a situação. Afinal, elas são muito mais espertas e observadoras do que aparentam. Estão lidando como podem, do jeito que sabem e muitas vezes sem um olhar apropriado de um adulto que as entenda e acompanhe no luto de ter perdido tantas coisas até aqui.

É difícil pensar no próximo quando nem nós mesmos estamos com certezas sobre o futuro, mas o primeiro passo é se lembrar diariamente de que esta situação atípica irá passar. Falamos muito em perdas, mas sinto que também tivemos ganhos preciosos dentro das nossas casas: esse tempo que não tínhamos para brincar com eles, para ouvi-los com profunda atenção. Se mudarmos um pouco o foco e fizermos uma lista das coisas que ganhamos, sentiremos alívio e saberemos que este tempo, por determinação da vida, se transformou em descobertas.

É importante que as crianças se sintam contempladas na rotina diária dos pais e que, mesmo longe da escola, tenham experiências que estimulem o desenvolvimento de suas habilidades, principalmente a imaginação. É preciso ter um cuidado redobrado com o que vamos falar ou fazer perto delas, pois as memórias que as crianças terão sobre este período será diferente da nossa. As crianças não estão alheias a este processo, elas fazem parte dele e precisam se sentir incluídas, na medida do entendimento delas, sobre o que está acontecendo, para que possam processar e produzir algo bom de tudo o que passou no final.

 A autora é membro do Conselho Diretivo da Escola Reverendo Olavo Nunes

 

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