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O machismo mata

por Regina Pasquarelli, Beatriz Sanches, Claudia Eugênia, Dude Escobar, Evandro Joaquim, Marise Suzuki, Ricardo Maringoni e Wania Côsso

13/01/2021 - 05h00

A violência resultante do comportamento machista atinge mulheres de todas as classes sociais, no Brasil de Bolsonaro ou nos EUA de Trump. A morte, as ofensas à integridade física, psicológica e moral, o abuso sexual contra a mulher no Brasil são subnotificados. Os números oficiais dos crimes cometidos contra as mulheres no nosso País, não refletem a realidade da violência que vitima milhões de mulheres todas as horas, todos os dias, todos os meses, todos os anos.

Durante a leitura deste artigo, algumas mulheres terão sido vítimas de estupro, feminicídio, lesão corporal ou assédio sexual. A vida, o corpo e o intelecto da mulher não podem ser vistos como propriedade de um homem. O destino da mulher, seus direitos, suas vontades e desejos, não dependem do que o homem pensa e quer.

Lamentavelmente, os índices de violência à mulher se agravam a cada dia, impulsionados por atitudes e falas daqueles que deveriam zelar pela integridade física e psicológica das vítimas. Não deve existir espaço de tolerância ao machismo, modelo forjado no patriarcado e arraigado em nossa sociedade desde tempos ancestrais. Os crimes cometidos contra as mulheres não podem ficar impunes. Leis não faltam para que os agressores sofram severas sanções penais.

No entanto, o País convive de forma pacífica e até conivente com a cultura do machismo estrutural, sobretudo quando ecoam frases proferidas no calor de uma discussão entre parlamentares: "Só não te estupro porque você não merece".

Atitudes desta natureza desencadeiam uma espécie de salvo-conduto aos criminosos de plantão. O recente caso ocorrido no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, em que a deputada estadual Isa Penna foi assediada sexualmente, consagra a aposta na impunidade. É perturbador. Da mesma forma, a morte da juíza de Direito do Rio de Janeiro Viviane Vieira do Amaral, causada pelo ex-marido na presença das filhas, entre tantas outras ofensas contra as mulheres, não podem transparecer algo normal, pois não é.

A educação das crianças, adolescentes e jovens é um caminho para a criação de condições para a diminuição das consequências da violência de gênero, incentivada pelo machismo. Por outro lado, passou da hora da sociedade cobrar das instituições públicas - Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Federal -, postura intransigente contra os usurpadores da dignidade das mulheres. Os machistas não passarão!

O pensamento de Simone de Beauvoir está vivo: "Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre".

As autoras e autores são amigas e amigos de vida toda e que se reencontraram em feliz comunhão de ideais após 50 anos.

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