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A Covid-19 é um cisne negro?

por Alessandro Azzoni

20/01/2021 - 05h00

Analisando o cenário econômico mundial anterior a novembro/2019, tínhamos uma corrente de redução mundial de juros básicos com a finalidade de minimizar a desaceleração econômica mundial. Todas as nações mundiais estavam sinalizando para a redução da aceleração econômica. O termo "cisne negro" foi utilizado em analogia à espécie onde cisne negro é raro na natureza e, com isso, o autor Nassim Taleb o utilizou pela primeira vez em seu livro em 2007. Com isso, para fenômenos que impactem diretamente o mercado financeiro de forma drástica, usamos o termo "cine negro". Muitos analistas atribuíam que os desastres ambientais, mesmo que raros, mas frequentes, provocavam efeitos devastadores nas economias afetadas. Se fizermos a analogia à pandemia, temos um fenômeno imprevisível, raro, com efeito devastador.

O alto grau de contágio da Covid-19 colocou as empresas e governos em situação de vulnerabilidade. Os cisnes negros causam dificuldades profundas, neste caso, exemplificado pela falta de leitos hospitalares de UTI. Com o comprometimento das vias áreas dos pacientes e danos aos pulmões, o uso da UTI tornou-se vital para a manutenção da vida. Medidas como o isolamento social voluntário e obrigatório tornaram-se ferramentas para alongar a curva de contagio, e mediante uso substancial dos leitos hospitalares, o efeito colateral foi o fechamento de atividades econômicas não essenciais.

Lembrando do que falamos acima, as economias já vinham em uma tentativa de evitar a desaceleração da economia, com a redução das taxas de juros, no Brasil. Para além desta crise mundial, tentávamos uma recuperação oriunda de um processo recessivo, portanto os efeitos de um cisne negro costumam ser bem profundos e dolorosos à economia brasileira.

A Covid-19 foge da similaridade dos cisnes brancos que, por outro lado, costumam ser mais previsíveis, mais fáceis de serem tratados com certa antecedência. O que acentua a definição da Covid-19 como cisne negro é a latente dificuldade em antever e prevenir a sua chegada e a imprevisibilidade de seus efeitos. Claro que isso não significa que não seja possível se proteger das consequências trazidas por ele.

Mesmo que o termo seja utilizado no mercado financeiro, podemos, por analogia, utilizá-lo nas atividades econômicas, pois as empresas envolvidas afetam por si ou indiretamente os rendimentos dos investimentos em bolsa. O que podemos tirar desta crise e das demais é o legado deixado por ela, aproveitando os períodos difíceis, mapeando impactos não só ao seu mercado, mas no todo para otimizar estratégias e organizar as empresas através de alocação de seus recursos financeiros e humanos para estar mais preparados no futuro. Crises são cíclicas. Devemos estar preparados e com plano de ação.

O autor é advogado e economista.

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