Bauru e grande região

Articulistas

As aparências enganam

por Helder Fernandes de Aguiar

21/02/2021 - 03h00

Em muitas ocasiões, um olhar, um cheiro são suficientes para lembranças aparecerem imediatamente na nossa vida. Isso aconteceu há poucas horas.

Se você está em Terra alheia, há necessidade de se comportar de acordo com as tradições, costumes e usos dessa Terra; para visitar igrejas, templos, em vários países, mulheres obrigatoriamente necessitam cobrir ombros e costas e entrar de bonés e chapéus nem pensar. Em vários restaurantes não se entra sem roupas sociais e, excetuando-se bares de praia, sem camisa jamais.

Até os conceitos de ética e moral são analisados dentro desse contexto, pois são ligados, determinados e atrelados aos usos e costumes locais. Bigamia, rostos cobertos, apertos de mãos, beijos e abraços são imorais em diversos locais, mas morais em outros.

Ao ingressar na faculdade, desde o primeiro dia, foram explicados os costumes, direitos e deveres: "É obrigatório o uso de roupas brancas em tais, tais e tais setores; nos demais, pode ser utilizado um avental. Tem um mês para providenciar". Por que o branco? Em primeiro lugar, para demonstrar limpeza e cuidado para manusear medicamentos e doentes. Faz sentido.

No Hrac (Centrinho), onde atuo, há muito tempo, em um período se lia em cartazes: "sua roupa é adequado para o ambiente em que você está?". Não sei se essa prática hoje seria legal ou Legal!

Botucatu é uma cidade de clima frio e há décadas atrás era ainda mais fria, e bermuda na faculdade era uma coisa impensável, pelo frio, pelos costumes e pela instituição, além, claro, pelo respeito aos doentes, nosso maior cuidado.

Durante 9 anos em que lá estive, vivi diversas greves e movimentos pleiteando algo. Bolsa de residentes, salários de docentes, melhores condições de estudo e de trabalho... Todos em passeata pela Amando de Barros ou av. Dom Lucio, com faixas, cartazes e roupa branca.

Na última quinta-feira, saindo do trabalho, passei pela manifestação dos estudantes da medicina pró-HC e, ao olhar de perto, parecia mais uma concentração esperando o trio elétrico para sair na avenida, cujos abadás eram as máscaras. Olhei, voltei no tempo e pensei: as aparências enganam? Tomara.

O autor é médico otorrinolaringologista

Ler matéria completa