Bauru e grande região

Articulistas

Da estrutura à diacronia do mito

por Matheus Terra

01/04/2021 - 05h00

O mito sempre esteve presente na cultura de várias sociedades ao redor do mundo, sobretudo na Grécia. Todavia, o que sabemos hoje a seu respeito? Numa breve pesquisa, "mito" provém da palavra grega "mythós", que significa, segundo uma das interpretações presentes no dicionário Michaelis, "história fantástica, como uma fábula ou lenda, protagonizada por deuses, semideuses e afins que representam simbolicamente fenômenos da natureza, fatos históricos ou aspectos da condição humana."

Devido à natureza inconstante da língua portuguesa e sua constante mutação, ressignificação e atemporalidade, algumas palavras podem adotar, com o passar do tempo, um significado totalmente diferente do que significara há 20 ou 200 anos. Isso pode ser facilmente percebido quando perguntamos para qualquer brasileiro que esteja minimamente informado sobre o cenário político atual a quem remete-se à palavra mito. Não seria difícil adivinhá-lo, já que a palavra ganhou certa popularidade após as eleições de 2018. A questão é: como uma palavra que nos remete a uma das principais característica da Grécia Antiga tomou tais proporções aqui no Brasil? A resposta não poderia ser mais simples: as palavras não pertencem a nenhum povo se não a todos eles. Apropriar-se de termos de outras culturas é algo tão comum quanto o café pela manhã em nossas mesas.

Contudo, a apropriação de um termo não significa, em escala nacional, a ressignificação do mesmo. Em 2022, por exemplo, a palavra mito pode significar outra coisa, ou seu atual significado pode ser simplesmente deixado de lado. Quem saberia dizer se não o tempo?

Prova disso é que, ainda segundo nosso querido e sempre presente Michaelis, "mito" pode ainda significar "um fato considerado inexplicável ou inconcebível; uma crença, geralmente desprovida de valor moral ou social, desenvolvidas por membros de um grupo, que funciona de suporte para suas ideias ou posições." A interpretação ideal fica por conta do leitor.

O autor é colaborador de Opinião.

Ler matéria completa