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Auxílio chega tarde e com baixo efeito na economia

por Reinaldo Cafeo

08/04/2021 - 05h00

É inegável que qualquer que seja o valor a ser destinado às pessoas que estão sem renda é bem-vindo, porém, o novo auxílio emergencial além de chegar tarde terá baixo efeito na economia. Chega tarde porque o Congresso Nacional não priorizou a votação do Orçamento da União para 2021. Mesmo votado neste ano, portanto, com atraso, o Orçamento ainda não foi sancionado devido as tentativas de "pedaladas" por parte dos Congressistas e agora busca-se uma costura política para que o Executivo Federal não cometa crime de responsabilidade.

Entre vários problemas no Orçamento estão a redução de verbas obrigatórias, excesso de recursos destinados às emendas dos parlamentares e o risco do não cumprimento do limite de teto de gastos. É um Orçamento "maquiado". Estamos no mês de abril sem ter um Orçamento do ano aprovado Inacreditável!

Mas voltemos ao auxílio emergencial. É evidente que muitos não imaginavam que nesta fase do ano teríamos o crescimento elevado nos casos e mortes de Covid-19. Também não imaginávamos que depois de tudo que o País passou o fechamento das atividades econômicas fosse um dos poucos caminhos a ser adotado pelos governantes. Empreendedores com queda no faturamento, trabalhadores sem emprego, são parte de uma triste realidade que tem levado milhões de brasileiros a miséria. O auxílio emergencial chega para mais de 45 milhões de brasileiros, mas estes estão endividados, com baixa qualidade em sua alimentação, tendo que conviver com a carestia que se instalou no País.

Serão R$ 44 bilhões injetados na economia em 4 meses. Este valor representa cerca de 14% do total pago com auxílio emergencial o ano passado, que totalizou cerca de R$ 300 bilhões e ajudou em muito na recuperação da economia no segundo semestre do ano passado. Observem que a magnitude do auxílio não deve mexer muito com a economia.

De um lado, a demora na liberação dos recursos pega famílias tendo que honrar compromissos que ficaram para trás, como água, luz e outros compromissos básicos, e de outro lado, não haverá excedentes que tragam impacto significativo na economia.

Talvez, reforço, talvez, a combinação deste auxílio com eventuais antecipações no pagamento do décimo terceiro salário aos aposentados e pensionistas, mais outras decisões que antecipem pagamentos na área social, possam de alguma maneira criar um volume de recursos capaz de trazer um alento aos agentes econômicos. Podemos manter a projeção de crescimento econômico para este ano, mas devemos contar muito mais com a velocidade de vacinação e um olhar diferente dos governantes quanto as decisões em fechar tudo, do que com a chegada destes recursos na economia.

Pelo andar da carruagem teremos um primeiro semestre com desempenho abaixo do desejável, e um segundo semestre que pode tirar o atraso. Aos agentes econômicos resta estabelecer estratégias que permita sobreviver até lá.

Como sempre, o setor público caminha a passos de tartaruga, contrastando com a urgência na solução dos graves problemas econômicos e sociais do País.

O autor é economista, presidente da Acib.

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