Bauru e grande região

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A batalha do Batalha

por Arnaldo Ribeiro

09/04/2021 - 05h00

Dizem que houve uma batalha no século XIX entre bandeirantes e indígenas às margens de um rio que nasce em Agudos, passa por Bauru e corta toda a nossa região. Foi daí que veio o nome do Rio Batalha. O rio foi e é fundamental para o nosso desenvolvimento. Bauru se tornou a cidade mais populosa da região e bebeu muita água vinda de lá. Continuamos até hoje desfrutando muito e dando pouco em troca. O Rio Batalha pede socorro e não estamos ouvindo.

Claro que a pandemia toma as manchetes e é a prioridade neste momento, mas não podemos esquecer que estamos entrando nos meses mais frios e com menos chuva. Nesse período o nível do rio cai e prejudica o abastecimento de água. Os problemas já começaram. Jardim Solange, Terra Branca e Vila Nipônica, entre outros bairros, sofrearam desabastecimento entre o fim de março e o começo de abril.

Sabemos que o desassoreamento do leito do rio é uma necessidade, assim como o replantio da mata ciliar e a perfuração de poços artesianos. Isso foi falado várias vezes durante a campanha eleitoral de 2020, mas hoje não ouvimos mais nada. Façamos uma reflexão: a perfuração de poços ajuda, mas não resolve. Um bom poço produz no máximo de 60 a 80 l/s. Por outro lado, é possível retirar do Rio Batalha 200, 350 e até 550 l/s de água, dependendo da forma correta e sustentável no manejo. O melhor aproveitamento dos recursos hídricos é um assunto que precisa de discussão.

Claro que em 100 dias o atual governo não poderia ter resolvido toda a questão, mas o que se nota é um silêncio absoluto sobre uma licitação (assunto enterrado desde 2017) para contratação do projeto da nova captação e a reserva de recursos financeiros para a implantação. Silêncio sepulcral também sobre a recomposição da mata ciliar, uma necessidade imediata tanto do ponto de vista ambiental quanto estratégico da cidade. Pelo visto, teremos mais uma vez torneiras vazias nos meses de seca, quando a crise hídrica fala mais alto. Que todos, de bandeirantes a indígenas, nos juntemos para que o Batalha saia vencedor dessa batalha centenária.

O autor é ex-secretário Desenvolvimento Econômico e acadêmico de Gestão Pública.

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