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A verdade do universo e a prestação que vai vencer

por Matheus Terra

04/05/2021 - 05h15

No início da pandemia as cerca de 200 mortes por dia causavam um pânico tamanho que pensávamos ser o fim do mundo, o apocalipse, segundo a Bíblia, o fim dos tempos e tudo o mais que possa ilustrar a beira do desespero. Estávamos a um mero passo do precipício e o avançar seria a nossa ruína.

Aumentamos gradativamente nossa empatia, pois creio que as pessoas mais atentas sobre a sociedade já o saibam que desde muito tempo o ser humano é mais benévolo com os outros, mais paciente, mais empático quando todos nós compartilhamos de um medo coletivo, de um terror que nos espreita a todos.

Se isto é parte da natureza humana ou é simples egoísmo, não o sei. Entretanto, algo que pode ser dito com toda a certeza do mundo é que somos seres incertos. Bravos são os que nascem com a confiança dos justos e morrem com ela, sem titubear um momento sequer durante os altos e baixos da vida - ato digno de uma epopeia contemporânea aos moldes de Homero.

Contudo, são poucos os que assim são e suas existências já quase são denominadas lendas. Talvez o modernismo, a frivolidade e a comodidade da tecnologia nos tenham transformado em caráter, em essência e em confiança, para seres cada vez menos otimistas e mais dependentes de algoritmos.

Somos capazes de uma intensa metamorfose cada vez que a nossa enfraquecida humanidade é posta em risco. Ser brasileiro, até onde eu sei com minhas duas décadas e meia de vida, mais se assemelha ao que teria dito Raul Seixas numa de suas letras: "Dois problemas se misturam: a verdade do universo e a prestação que vai vencer". O mundo já não é mais o mesmo, meus amigos. Nem a gente.

E ainda não sei se isso é bom ou ruim...

O autor é pederneirense e estudante de Jornalismo pela Unesp.

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