Bauru

Articulistas

FOB/USP & DAE: fluoretação da água de abastecimento de Bauru

por José Roberto de Magalhães Bastos

08/05/2021 - 05h19

Em 24 de maio de 1974 foi publicada a Lei número 6.050, dispondo sobre a fluoretação da água em sistemas de abastecimento público no Brasil. A Lei foi devidamente regulamentada em 22 de dezembro de 1975. Pouco antes, em 10 de outubro de 1975, foi implantada a fluoretacão na cidade de Bauru.

Faço aqui um breve relato das iniciativas do DAE juntamente com a parceria de dois docentes da FOB USP, culminando com tão importante evento para o município. Foi realizado um levantamento epidemiológico inicial, em 1.515 escolares de 7 a 12 anos de idade, das unidades Stela Machado, Henrique Bertolucci, Guedes de Azevedo, Silvério São João, Ernesto Monte e Madureira. Havia uma classificação relativa ao índice de cárie dentária, da Organização Mundial de Saúde (OMS), considerando um índice maior que 5,6, como altíssimo, em crianças de 12 anos de idade.

O índice obtido foi assustador: igual a 9,89. Quase 10 dentes atacados de cárie dentária naquela idade e, além do mais, de alta severidade da lesão cariosa, provocando inúmeras perdas dentárias de dentes permanentes, antes mesmo das crianças entrarem na adolescência. Inicialmente foram beneficiadas a Estação de Tratamento de Água e os poços profundos no Núcleo Presidente Geisel e Parque Vista Alegre. Oito anos depois, em 1984, foi realizado um segundo levantamento epidemiológico, já demonstrando uma queda significativa do índice (chamado CPOD) de cárie dentária de Bauru que, com a continuidade e expansão da fluoretação, novas técnicas e equipamentos, provocaram o forte e significativo declínio chegando-se até os dias de hoje quando a doença cárie dentária, embora existente, como em todo o mundo, já não provoca tantos inúmeros problemas.

Na época o número de crianças sem uma cárie dentária na boca, era.....zero! O primeiro trabalho foi publicado por De Pretto, P.W., Engenheiro Químico do DAE, Lourenço Dias, O.M., Cirurgiã-Dentista do DAE e pelos docentes Lopes, E.S. e Bastos, J.R.de M, da FOB USP. Os detalhes foram devidamente considerados conforme a publicação em Estomatologia e Cultura 15(3):20-25, 1985, o importante periódico da FOB-USP de então.

As escolas cujas crianças (2.416) foram examinadas em 1984 foram Stela Machado, H. Bertolucci, Silvério São João, Ernesto Monte, Lourenço Filho, L.C de Almeida, M. Paes Bueno e Rodrigues de Abreu. Deve-se ressaltar que a fluoretação é recebida pela população, indiscriminadamente de suas condições sociais ou econômicas, um método de baixo custo, eficiente, prático e seguro.

Proporciona efeitos benéficos irreversíveis na constituição dos dentes das crianças, tornando-os muito mais resistentes ao ataque da cárie dentária, um dos grandes problemas de saúde pública no país. O DAE e a FOB USP, em Bauru, atuaram em parceria, já na década de 1970, trazendo benefícios perenes indiscutíveis para a população bauruense.

É parte de nossa história.

O autor é professor titular sênior, Saúde Coletiva, FOB-USP Bauru.

Ler matéria completa