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Darcy Ribeiro, herói da Pátria

por Henrique Matthiesen

02/06/2021 - 05h00

No ano de 2022 comemorar-se-á o centenário de nascimento do filho mais ilustre da cidade mineira de Montes Claros: o cidadão do mundo Darcy Ribeiro. Adjetivações não as faltam. Sua existência atingiu o mais elevado grau de fecundidade que germinaram e germinam frutos proveitosos para o Brasil e para o mundo; afinal, Darcy Ribeiro se caracterizou como um dos mais ilustres semeadores de utopias e realizações. Caso raro de humanidade, Darcy foi uma pessoa transbordante, que não se circundou apenas no seu tempo e vai mais além com seus legados, inquietações e paixões.

Por estas razões, inúmeras honrarias foram concedidas em diversos países, seus livros traduzidos em vários idiomas, seus sonhos sonhados e realizados em múltiplas nações, e sua ausência física sentida em diversos povos. Inconformado em suas inquietudes, tentou salvar os índios, as crianças, o vindouro e "fracassou", segundo sua perspectiva, mas sentenciou que odiaria estar no lugar de seus vencedores. Condenação que a própria História se encarregou de implacavelmente marcar, pois celebramos Darcy e não seus medíocres adversários.

Indignado, jamais se resignou. Viveu a intensidade da existência em causas e projetos. Semeou humanidades e conheceu gentidades na sua busca incessante de desvendar os mistérios dos homens. Obsessivo na sua angústia de construir a Nova Roma deste novo gênero humano - que é o brasileiro - segundo sua visão antropológica, criou escolas, universidades, saberes e enfrentou como ninguém a ignorância. Não se curvou ao projeto elitista de uma escola fracassada e da manutenção da ordem social sagrada imutável. Darcy Ribeiro foi único: iluminado e diferenciado está no panteão da brasilidade, de a nossa cepa mais ilustre como pensador e realizador. Desfilou seu desassossego nas passarelas que a vida lhe proporcionou: do épico ao popular idealizou e construiu a Passarela do Samba para a maior festa popular do mundo e, genialmente, também fez desta passarela as alamedas do saber, afinal o sambódromo também é um "escolódromo." Fiel às matrizes originárias na construção do nosso povo, foi a voz, os ouvidos e o sonhos do Marechal Rondon. O Parque Nacional do Xingu o reverencia assim como todas as etnias, línguas e costumes o tem como amigo e como defensor.

Razões de enaltecimento não faltam e admiração aos seus frutos são enormes. Imortal, nos presentou com Maíra, Utopia Selvagem, Migo e o Mulo, obras que elevam a existência e o perpetuam em nossa língua, em nossa literatura e em nossa boniteza. Seu nascimento é o ensejo de comemoração, reflexão e de chamamento para suas lutas. Como homenagem a este brasileiro, o deputado federal Chico D´Angelo (PDT-RJ) apresentou um Projeto de Lei que está em tramitação na Câmara dos Deputados para inscrever o nome de Darcy Ribeiro no livro de aço dos Heróis e das Heroínas da Pátria. Iniciativa esta que extrapola os aspectos ideológicos e partidários. Transcende a política, engrandece a brasilidade, afinal, Darcy Ribeiro foi e é a síntese desta brasilidade elevada, sublime e extraordinária. Afinal, como ele mesmo dizia: "Sou um homem de fazimentos."

Viva Darcy Ribeiro, herói da pátria!

O autor é formado em Direito, pós-graduado em Sociologia.

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