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Vida humana x humanidade

por Maria América Ferreira

02/06/2021 - 05h00

A vida é um sopro! É efêmera! Como passa rápido! Parece que foi ontem! Todos os dias alguém fala uma dessas frases. Mas levar em consideração de verdade que a vida é tudo isso é para poucos. São pouquíssimas as pessoas que consideram que a vida é mesmo breve. E, aproveitando o tempo, vivem apenas hoje, sem remoer o passado ou esperar pelo futuro. Se o ser humano, com exceções, fosse capaz de entender a vida com todas as suas nuances, o mundo seria diferente. Nem melhor nem pior, apenas diferente. Talvez fosse interessante considerar que não adianta acumular bens materiais, eles vão ficar.

Nem é tão importante ter uma mansão e carros da moda. Uma casa apenas, isso é necessário, um carro talvez e alimento na mesa. O resto já é excesso. Mas como todo 'bom humano' pensa, é mais importante ter, possuir, adquirir, do que ser. Ser humilde, ser bom, ser compreensivo, ser amigo, ser justo e honesto, atributos em falta ultimamente.

Não. O ser humano se sente acima de tudo, acha que entende tudo e a posição de cada um deve ser a verdade universal. Não dá para saber se isso é infantilidade ou ignorância mesmo. Mais provável o segundo, porque uma criança é ingênua e capaz de perceber coisas que os adultos não percebem. Ignorância é só coisa de gente grande. E não há nada pior que um ignorante ter certeza que é o dono da verdade.

Transportando essas considerações para o momento atual em que vive o mundo, dá para perceber o quanto o ser humano está se tornando apenas um habitante estranho na Terra. Dividido por castas, cada um se sente mais importante que o outro e assim todos se sentem superiores.

Se você não concorda com a opinião do vizinho, você ou ele não prestam. As pessoas não são capazes de respeitar o outro, mesmo discordando. É possível sim ter ideias diferentes e conviver de forma harmoniosa. Isso se chama respeito. É isso que ocorre na vida pessoal e comunitária. Aliás, viver em comunidade é algo que está cada vez mais difícil. O ser que sai de casa achando que só existe ele no mundo, por isso, pode fazer o que lhe der na telha, é no mínimo um ambulante perdido na imensidão do Universo.

Quem dera nós, humanos, desenvolvêssemos a capacidade de sempre se colocar no lugar do outro, antes de julgar qualquer ato praticado por alguém. O que cada um acredita nem sempre é a verdade do outro.

Tudo é relativo!

A autora é jornalista. Colabora com Opinião.

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