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O colega que se desligou da empresa

por Patrícia Schubert

11/06/2021 - 05h00

Pareceu uma cena hollywoodiana... O homem, de uns 40 anos, caminhava vagarosamente pela calcada, distanciando-se da empresa onde trabalhava.

Era a ultima vez que o fazia.

Eu o observei de longe e, nesse momento, ratifiquei, pelo pensamento, meus votos de sucesso ao colega de 8 anos de trabalho. Seguia com a pasta de couro; semblante leve como nunca vi.

Idealista, probo, empenhado, exímio estudioso.

De maneira contida, parecia selar 13 anos de contrato de trabalho, findados para trilhar um novo, melhor e merecido caminho. Sem despedidas cerimoniosas ou muitas palavras. Simples assim. Sempre disse que, para algumas organizações, os intitulados "colaboradores" são, na verdade, meros números de matrícula. Hoje constatei que isso é verdade, em parte.

Para aqueles cujos valores assemelham-se à frieza de tais instituições, sim.

Para pessoas sensíveis, não. Independente disso, não ha gratidão de organização.

Podemos, para alguns, ser muito mais que um número de matrícula.

E, tenho certeza, esses raramente fazem parte dessas organizações.

Hoje, mais do que nunca, me lembrei do ex-procurador chefe de um importante Estado que conheci num congresso. Falava o senhor que devíamos dar importância a nossos familiares e amigos. Segundo ele, após aposentar-se, não passou mais de 3 meses para que, ao retornar a antiga lotação, lhe pedissem para identificar-se, mediante apresentação de RG.

Pode parecer narrativa de filme hollywoodiano, mas não é...

A autora é colaboradora de Opinião.

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