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Bauru: há seis meses sob nova direção

por Reinaldo Cafeo

01/07/2021 - 05h00

Tanto o Legislativo como o Executivo Municipal completaram seus primeiros seis meses de gestão, portanto, a cidade está há um semestre sob nova direção. A Câmara Municipal teve um início tumultuado, com troca de presidência, inclusive com questionamento da legitimidade da eleição do atual presidente Markinho Souza. Foi no mínimo um trimestre de incertezas e, diria, de frustrações, em que a população tinha e ainda tem expectativas de que a Legislativo Municipal efetivamente seja o novo que todos apostaram. Os projetos, aos poucos, começam a sair do papel, contudo, há questões estruturais que precisam avançar. Fica um alerta: a sociedade bauruense precisa se atentar aos movimentos de parlamentares que visam seus projetos pessoais, que nada mais é do projeto de poder.

No tocante ao Executivo Municipal, ocorreram altos e baixos. Com discurso de "cuidar da casa" a prefeita eleita Suéllen Rosim criou expectativas de que a "velha" política ficaria no passado. Sem dúvida alguma, recebeu uma herança nada desejável e os chamados "esqueletos" aparecem diariamente. A falta de gente, de estrutura nas várias secretarias municipais foi notória. O ex-prefeito teve uma gestão que podemos denominar de "meia-boca" nos mais diversos setores da Prefeitura, o que levou a cidade a conviver com "puxadinhos" em vez construir uma "casa" bem alicerçada.

Apesar desta realidade, isso tudo não pode ser desculpa para que a cidade fique paralisada. E é esta a sensação que as pessoas passaram a ter. De euforia com o firme posicionamento da prefeita Suéllen, inclusive com visibilidade nacional quando foi firme com o Governo do Estado, passando a ter interlocução com o Governo Federal, passou a gerar frustrações pela demora em enfrentar questões básicas. Sem dúvida, este ambiente de frustração está sendo potencializado pela questão sanitária, à medida que ninguém imaginava que depois de mais de 15 meses a pandemia de Covid-19 fosse tão grave como está atualmente, mas mesmo a impressão que temos é que a cidade não anda.

A população, a imprensa, a sociedade civil organizada não dispõem de indicadores que possibilitem estabelecer um juízo de valor no tocante ao está sendo executado. Gerenciar uma cidade sem indicadores é não gerenciar. Além disso, setores importantes do Executivo Municipal ainda não deram publicidade sobre suas estratégias, o que leva a especular, que talvez elas não existam. Para citar alguns exemplos, estamos sem saber qual o horizonte da Cohab, também não sabemos como se dará a viabilidade da Emdurb, e mesmo com algumas sinalizações, também o DAE ainda não deixou claro se sua gestão será reinventada.

Apesar dessa leitura, penso que ainda há tempo para dar uma virada. Para isso é preciso, como falávamos antigamente, dar uma "sacudida" na equipe de governo, para não cair na mesma vala dos políticos que já comandaram a cidade: transformar promessas em desculpas.

Se queremos a prosperidade de Bauru é preciso que o senso coletivo prevaleça e aqueles que não somente torcem, mas trabalham para o bem da cidade, deixem as diferenças de lado, e foquemos no que é importante, para tanto o Executivo Municipal precisa assumir efetivamente o protagonismo. Serão mais três anos e meio de mandato e ainda dá tempo para fazermos o que tem que ser feito.

Não basta ser nova direção, é precisa agir como nova direção. O que está em jogo é a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Isso não pode jamais ser perdido de vista.

O autor é economista, presidente da Acib. Âncora/comentarista do Cidade 360º

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