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Meu caro ex-prefeito: considerações finais

por Reinaldo Cafeo

07/07/2021 - 05h00

Quero iniciar este artigo agradecendo às dezenas de pessoas que enviaram mensagens elogiosas em meu WhatsApp e centenas deixaram seus comentários em redes sociais. Agradeço também às críticas, sempre bem-vindas. Parabéns pelo seu currículo. O senhor, como eu, podemos afirmar que mesmo vindo de famílias humildes tivemos no conhecimento a possibilidade de vencermos na vida. Por isso, valorizo cada centavo que ganho, pois sei o que é ter pouco. Isso forjou meu caráter. Meus pais são meus exemplos de dedicação.

Isso posto, o que estamos externando em nossos artigos são leituras distintas sobre a sua atuação frente ao executivo municipal. Tenho lembrança, como se fosse hoje, que nos encontramos pela primeira vez quando o senhor era pré-candidato a prefeito, e eu fui mediador do debate. Ali o senhor deixou claro que iria romper com a velha política, que teria uma atuação independente, mas infelizmente não foi isso que observamos. Eu, como muitos, votamos no senhor. Acreditamos que a cidade seria administrada não por um prefeito, mas por dois, uma alusão ao seu vice-prefeito, o querido Toninho Gimenez. Não foi isso que se viu. Seu vice não teve espaço para tanto.

No tocante à sua colocação quanto a sua honestidade, na minha visão isso não é virtude, é obrigação. O que estamos discutindo tem a ver com a melhoria da qualidade de vida da população durante sua gestão. Os pontos que listei no artigo de domingo aqui no JC confirmam isso. Reforço um indicador: mortalidade infantil com alta de 54,5% entre 2016 e 2019. Mas foquemos em outros pontos. A questão da Funprev. Senhor alega no artigo de ontem que evitou pagar juros de 1% ao mês, relativos ao parcelamento previdenciário. Aqui confirma que estamos em campos antagônicos mesmo: com toda a minha racionalidade, a qual pratico em meu dia a dia, eu pagaria 1% de juros ao mês (e até mais) se a finalidade fosse investir na saúde, principalmente em tempos de pandemia. Ofereceria toda retaguarda sanitária para salvar vidas. É a visão não financista, mas humanizada. Gerenciar é escolher e sua escolha foi financeira.

Outro tema que o senhor insiste em afirmar que foi sua atuação é a questão do emprego. Todos sabemos que isso está mais diretamente ligada ao desempenho econômico, na visão macroeconômica, do que ações locais. As ações da prefeitura podem ir na linha de criar um ambiente de negócios favoráveis, mas o capital produtivo analisa outras variáveis. Bauru tem sua matriz econômica alicerçada no setor terciário. Na área de serviços temos empresas de porte atuando na recuperação de crédito. Estas empresas contratam 500, 600 às vezes 1.000 funcionários, porque conseguem um grande contrato e no interior os custos são mais baixos. Isso independe de sua atuação. A própria construção civil teve bom desempenho porque o Brasil passou a praticar a menor taxa de juros de sua história. A Caixa Federal e demais Instituições Financeiras entraram com elevado apetite, inclusive fundos privados. As construtoras e as famílias viram no crédito uma forma de investirem em moradias. Inclusive com subsídios governamentais para moradias populares. Vale destacar que não avançamos mais porque a outorga onerosa e o excesso de contrapartidas exigidas pela cidade afugentaram investidores ou elevaram o custo final das obras. Neste caso o cidadão comum pagou a conta.

Poderia citar suas promessas de abrir o HC quando do lançamento do curso de medicina e tantas outras expectativas geradas. Mas como já disse: os eleitores já avaliaram sua gestão - perdeu 86,5% deles em 4 anos. Finalizando: sucesso na iniciativa privada, use na plenitude seu currículo e caso queira voltar a concorrer a um cargo eletivo, seja humilde em reconhecer que precisa se preparar melhor.

O autor é economista, presidente da Acib.

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