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Jovens, a revolução silenciosa

por Carlos Alberto Di Franco

16/07/2021 - 05h00

O recurso ao negativismo sistemático esconde uma tentativa de ocultar algo que nos incomoda: nossa incapacidade de valorizar boas histórias e flagrar a grandeza do cotidiano. "Quando nada acontece", dizia Guimarães Rosa, "há um milagre que não estamos vendo".

O jornalista de talento sabe descobrir a grande matéria que se esconde no aparente lusco-fusco do dia a dia. A mídia, argumentam os aguerridos defensores do jornalismo realidade, retrata a vida como ela é. Teria, contudo, o cotidiano do brasileiro médio nada além de tamanhas e tão frequentes manifestações de violência e de tristeza? Penso que não.

A informação sobre a juventude, por exemplo, dá prioridade a um recorte da realidade, mas frequentemente sonega o outro lado, o luminoso e construtivo. O aumento da violência e a escalada das drogas castigam a juventude. A crise econômica, dramática e visível a olho nu, exacerba o clima de desesperança. Mas olhemos, caro leitor, o outro lado da realidade. Verdadeiro e factual, embora menos noticiado por uma mídia obcecada pela síndrome da informação sombria.

A delinquência, na verdade, está longe de representar a maioria esmagadora da população estudantil. Denunciar o avanço da violência e a falência do Estado é um dever ético. Mas não é menos ético iluminar a cena de ações construtivas, de gestos de solidariedade, de magníficas ações de voluntariado, marca registrada de uma juventude generosa e trabalhadora que, sem alarde ou pirotecnia do marketing, colabora, e muito, na construção da cidadania.

A juventude, ao contrário do que fica pairando em algumas reportagens, não está tão à deriva assim. Há em andamento profundas e positivas mudanças comportamentais. A família, não obstante sua crise evidente, é uma forte aspiração dos jovens.

Ao contrário do que se pensa em certos ambientes politicamente corretos, os adolescentes atribuem importância decisiva ao ambiente familiar. Mesmo os jovens que convivem com a violência doméstica consideram importante a base familiar. Os jovens, em numerosas pesquisas, apontam a família tradicional como a instituição de maior ascendência em suas decisões.

Assiste-se, na universidade e no ambiente de trabalho, ao ocaso das ideologias e ao surgimento de um forte profissionalismo. Ao contrário das utopias do passado, os jovens acreditam na excelência e no mérito como forma de fazer a verdadeira revolução. Eles defendem o pluralismo e o debate das ideias.

O pensamento divergente é saudável. As pessoas querem um discurso diverso, não um local onde se pregue apenas uma corrente de pensamento.

Impressiona o número de jovens que abraçam o estudo da filosofia, da literatura e da história com grande liberdade de espírito. Não são reféns da matriz marxista que dominou, e ainda domina, a velha academia. A revolução em andamento é profunda e duradoura.

O mundo está mudando. Quem não perceber - na mídia e fora dela - essa virada cultural e comportamental perderá conexão com um importante segmento do mercado de consumo editorial.

O autor é jornalista - [email protected]  

 

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