Bauru

Articulistas

Estação... Uma vergonha

por Abel Fernando Marques Abreu

17/07/2021 - 05h00

Mais uma vez o problema da Estação Ferroviária volta à manchete do Jornal da Cidade. Entra governo e sai governo municipal e nenhum administrador público arregaça as mangas para solucionar o problema ocasionado com a compra da Estação pelo prefeito Rodrigo Agostinho por seis milhões, jogados fora, porque até agora nem Gazzetta nem Suéllen se dispuseram a arcar com as reformas necessárias. É uma vergonha!

Não adianta virem com desculpas e medidas paliativas. O próprio secretário de Obras, Leandro Joaquim, em entrevista à diligente jornalista Marcele Tonelli, afirmou que "tem gente que acha que temos feito pouco caso, mas estamos preocupados, pois é um prédio valioso para a cidade". Não tem dúvida, pois aquele próprio já acolheu a estrutura administrativa de três grandes empresas ferroviárias: a NOB, a Sorocabana e a Paulista, tornando Bauru o maior centro ferroviário da América Latina e serviram de impulso para o progresso de Bauru e cuja região, atualmente, precisa ser urgentemente recuperada, pois o abandono é visível.

A respeito da Estação, já tivemos oportunidade de publicar nas páginas do JC - que tem na sua direção de redação o diligente e aplicado jornalista João Jabbour - que a sede do município poderia, após a reforma, transferir-se para aquele prédio vetusto, mas de linhas arquitetônicas que se prestariam seriamente a servir de Paço Municipal, para a cidade, com o prédio da Praça das Cerejeiras acolhendo as instalações da Câmara Municipal, pois as atuais além de vergonhosas, são acanhadas e não oferecem aos vereadores condições adequadas de trabalho. No prédio da Câmara poderia ser instalado o decantado museu municipal, que há muito já deveria existir. Se se fosse construir um prédio para a Câmara, o seu custo ultrapassaria, grandemente, o valor das reformas que todos esses imóveis necessitam e que, após as melhorias preconizadas pelo ativo bauruense Leandro Joaquim, acolheriam por muitos anos os imóveis citados e se evitaria o desperdício do dinheiro público que nós pagamos pelos escorchantes impostos que nos cobram.

Todavia, diriam alguns que a prefeitura não tem condições de bancar tais reformas, é verdade! Por que, então, a prefeitura municipal adquiriu esse imóvel? Qual era o interesse? A quem isso beneficiou? Porém, em todas as eleições vêm paraquedistas de todas as partes do Estado e levam muitos votos daqui. Seria o caso de procurar os eleitos e cobrar de cada qual as emendas parlamentares com os valores necessários para essas reformas. Não fariam favor algum! Mas para que isso se torne realidade é preciso que as forças políticas da cidade (prefeita e vereadores) se unam ferrenhamente, sem partidarismos, e devolvam ao povo — em melhorias — os votos que receberam.

É preciso que tenham mais amor por Bauru e pelos seus habitantes. Enquanto isso, esse prédio foi lacrado recentemente pelo Ministério Público, por causa do risco que oferecia aos usuários.

É muito descaso do município.

O autor é delegado de polícia aposentado, jornalista e colaborador de Opinião

Ler matéria completa