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O que é o mundo?

por Paulo Cesar Razuk

18/07/2021 - 05h00

E como é o mundo em que vivemos? Mundo em latim significa puro. Embora o mundo seja inatamente bom, quem o criou, propositalmente, deixou espaço para nós aperfeiçoarmos a Sua obra. Na verdade, a narrativa da criação nos conta que fomos colocados nesse mundo para trabalhar, para protegê-lo e todas as atividades humanas são oportunidades para cumprir essa missão.

Podemos fazer um empreendimento qualquer com o único objetivo de acumular riqueza, mas, também é possível destinarmos uma pequena parcela do usufruído com esse negócio à objetivos caridosos. Uma empresa torna-se um veículo que promove o bem quando provê a seus colaboradores uma fonte de renda digna. Assim tanto o empreendimento quanto a empresa revelam o verdadeiro significado e o elevado propósito de existirem.

Da mesma forma, podemos comer apenas com o intuito de encher um estômago vazio. Pode-se fazer o mesmo, mas, com a consciência dos nutrientes ali inseridos e da imensa quantidade de energia dispendida para fazer aquele alimento chegar ao prato. Assim, dando graças a essa possibilidade de comer, canalizamos essa energia absorvida para cumprirmos nossa missão divina na vida.

Apesar da mesma informação visual, um idoso malvestido andando pela rua, para alguns é um peso morto, para outros uma ameaça, poucos o veem com empatia ou, ao lembrarem dos avós, oferecer-lhe algo. Um único homem gera percepções diferentes em um número imenso de pessoas. Mesmo para uma única pessoa, é inevitável que sua percepção mude com o tempo, com o humor e as lembranças.

Podemos achar que temos controle sobre nossas reações diante do mundo, mas isso é um engano. Se duas pessoas conseguem enxergar uma mesma coisa e têm reações opostas, as reações as controlam, não o contrário, por isso, se desejamos um mundo melhor, nossa postura deve ser sempre proativa e empática e nunca reativa.

Entre os seres humanos, as experiências subjetivas revelam-se nas sensações, nas imagens e nos pensamentos. A realidade subjetiva é uma vasta combinação de cores, luzes, dores, prazeres, sabores, memorias, desejos, ansiedades, alegrias. A realidade é subjetiva porque não enxergamos com os olhos e não ouvimos com os ouvidos. Os órgãos dos sentidos não criam a percepção, são apenas as lentes através das quais a consciência cria a experiência perceptiva. Nós percebemos o que a nossa espécie evoluiu para perceber e essa evolução nos mostra, hoje, um mundo que parece um deserto com uma multidão em um tresloucado vai e vem. São pessoas que vendem, compram, conversam, se agitam, discutem, saúdam-se, mostram-se educadas, amáveis, mentem, bisbilhotam, lisonjeiam, denigrem, desunem, destroem. São pessoas que se extraviam no deserto, enganadas por sonhos. Por miragens, são impelidas em todas as direções ao sabor do vento que enchem seus olhos de areia.

O mundo de hoje é ocupado por pessoas egoístas que, na sua maioria, não temem fazer o mal, não conhecem a harmonia, só as conveniências. Pessoas que perderam a fé e ao perdê-la, não têm mais armadura, não têm mais escudo. Precisamos evoluir em direção a espiritualidade e reparar o mundo para que a centelha de seu Criador não esteja mais oculta dentro de nós, mas brilhe através de cada coisa que realizamos.

O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru

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