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Queda no desemprego será no longo prazo

por Reinaldo Cafeo

22/07/2021 - 04h34

Estudo do Banco Mundial confirmou a triste realidade: a queda no desemprego no Brasil se dará no longo prazo. Antes da pandemia de Covid-19 havia perspectivas que o tempo para derrubar efetivamente o desemprego seria menor. Contudo, o isolamento social, as restrições ao comércio, enfim, os efeitos da pandemia deram um tombo na economia brasileira, e a quebradeira, notadamente das micro e pequenas empresas empurrou este tempo para frente.

É fato que a economia brasileira está em recuperação, também é fato que o emprego voltará, entretanto, o crescimento não será uniforme e com isso a volta do emprego não contemplará na mesma proporção todas as regiões e nem todos os setores da economia.

Isso posto podemos dividir a análise do tempo para o desemprego cair em duas partes. A primeira envolve a chamada mão de obra qualificada. Há muitos profissionais com bom currículo, com qualificação elevada, esperando por uma vaga no mercado de trabalho, contudo, estes serão mais rapidamente recolocados neste concorrido mercado. Evidentemente que a remuneração cairá, mas como há carência de bons profissionais e com os sinais positivos da economia, os mais bem qualificados serão os primeiros a voltar a conseguir colocação nas empresas e organizações.

A segunda parte é mais complicada. Trata-se de profissionais sem qualificação. Já não tinham vida fácil antes da pandemia, agora terão mais dificuldades ainda em conseguir um emprego. Neste particular o estudo do Banco Mundial indica um ciclo que pode durar até nove anos até que a taxa de desemprego efetivamente atinja um patamar aceitável.

Vale destacar que o desemprego no Brasil atinge 14,7% da população economicamente ativa, totalizando praticamente 15 milhões de trabalhadores. Há ainda cerca de 6 milhões de desalentados, aqueles que jogaram a toalha e não buscam mais uma colocação no mercado. Isso tudo sem considerar os subempregados (aqueles que gostariam de trabalhar mais horas do que o fazem atualmente) e os informais. Estamos falando de praticamente 30 milhões de pessoas nestas condições.

Não podemos deixar de considerar que além das questões conjunturais, que estão ligadas ao fraco desempenho econômico, há ainda as questões estruturais. O ambiente de negócios está mudando. Novas profissões surgindo. O nível de exigência no tocante a qualificação e produtividade é maior e a concorrência por uma vaga será muito acirrada.

Diante deste quadro não há mais como adiar a implementação de reformas estruturantes, que criem condições para quem quer empreender, possa efetivamente fazê-lo e mais que isso, que o nível de risco de nova economia seja minimizado para que os investimentos produtivos saiam do papel. Isso daria velocidade na recuperação mais consistente da economia.

O esforço para encurtar o tempo para que o brasileiro possa recuperar seu emprego e ter vida digna deve ser do conjunto da sociedade, mas sem dúvida, o setor público, em todas as esferas, precisa dar o tom. Estudos técnicos como o do Banco Mundial, precisam vir com ações práticas. É preciso muito mais do que discussões políticas, é preciso agir na direção da sustentação do crescimento econômico brasileiro no longo prazo, afinal o desempregado tem pressa.

O autor é economista, presidente da Acib; âncora/analista do Cidade 360º.

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