Bauru

Articulistas

Meu pai

por Carlota Magalhães

01/09/2021 - 05h00

Severo, exigente, alegre, violeiro, caçador de codornas após a aposentadoria, na minha cidade natal encravada na Serra da Mantiqueira. Ele nos deixou há muito tempo... foi tocar seu violão na esfera celeste. Na última visita, me disse que jamais mudasse de cidade, que um dia viria morar aqui... Gostava de sentar na Estação e olhar o movimento de trens e me contava que na revolução de 35 passara por aqui.

Na minha juventude, suas regras para mim eram: jamais ir a bailinhos sem a companhia de minha saudosa mãe, interrupção de minha promissora carreira de jogadora de vôlei, devido ao tamanho do short, muito curto na sua opinião, mesmo com o diretor do colégio tendo ido à nossa casa pedir sua permissão... Em vão.

Hoje, analiso que tudo isso se chamava amor... Eu tinha o que havia de melhor, em termos de uniforme e material escolar.

Além da família, seu maior amor era a fábrica Presidente Vargas, hoje Imbel, onde trabalhou por 35 anos... Guardo suas medalhas e diplomas recebidos por ser um trabalhador exemplar; custei para entender, na minha mocidade, que o que eu chamava de rabugice era em verdade, um imenso amor...

Como foi difícil aceitar em setembro de 1979 que aquele era o meu pai que tinha ido embora e nos deixado... Que dor insuportável que só conhece quem passou por isso!

Deus o levou de repente, sem aviso...simplesmente foi e nos deixou a saudade e a certeza de que zela por sua família que aqui ficou...

Parabéns a todos os pais, jovens ou não. Que sejam sempre valorizados, porque um dia se vão e deixam aquele imenso vazio.

A autora é colaboradora de Opinião 

Ler matéria completa

×