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Me esclareça uma coisa

por Elcio Luis Castro

24/09/2021 - 05h00

Tenho visto muita polêmica em relação à retirada das árvores na Praça Portugal e ainda manifestações com cruzes, acampamentos, ação popular, dentre outras, mas me respondam uma coisa: e as árvores, centenas delas, que foram simplesmente suprimidas com a realização das vias marginais na Rondon? Não só lá, mas também na Bauru-Ipaussu? Lá vejo algo mais grave do que está ocorrendo na Praça Portugal, onde estão mexendo em leitos de córregos ou até nascentes, não sei dizer ao certo, pois não fui me informar.

Ocorre que a Prefeitura Municipal, através da Seplan, tem procedimentos obrigatórios a seguir, não porque ela queira ou deseje, mas por força de um acordo que existe entre a Promotoria e o município, para que empreendimentos de grande vulto deem a contrapartida específica, entre elas o viário, pois entendem que poderá haver impactos no trânsito do local ou proximidade. Entendo que a prefeitura, através de um Plano Diretor, não posso afirmar, está seguindo justamente aquela indicação. Inclusive existe um grupo seleto (Comdema) de intelectuais que analisam essas e outras questões, desde o impacto de vizinhança, viário e urbanístico e, tenho certeza, isso foi respeitado e seguido.

Não quero defender a prefeitura, nem tampouco dizer se está correto ou não, mas ali tem um fundamento legal, moro na região e não me lembro de ter assinado nenhuma ação popular, sequer fui consultado. Agora, no que diz respeito às marginais na Via Rondon e na Bauru-Ipaussu, esse grupo e esse advogado tem alguma posição? Remodelar uma praça, melhorar o fluxo de veículos, tentar atingir objetivos de paisagismo, melhora a circular de pessoas e bicicletas, sendo atendidos todos os requisitos para essa finalidade e agora vira objeto de uma disputa que só trará uma coisa: desemprego, piora do fluxo de veículos, indignação de cidadãos como eu, que tenho que passar por ali todos os dias e ver uma obra parada por uma disputa que não tem mais sentido: as árvores já foram arrancadas, não tem volta.

Lembro também que esse Jornal da Cidade, muito bem informado, já havia abordado esse assunto, inclusive com um pequeno croqui, há um bom tempo atrás. E esse dr. advogado resolve entrar com uma ação popular "depois do início e arrancamento das árvores", qual será sua intenção? Se promover? Ou realmente ajudar, como? Nessa ação popular, existe a manifestação de verdadeiros moradores daquela região, que antes de mais nada realmente se informaram do projeto e seus benefícios? Esses jovens, por que não estavam no fundos do Sesc quando retiram várias árvores, algumas centenárias? Onde estavam quando as máquinas da ViaRondon abriam as marginais sem qualquer dó e matavam várias espécies de árvores? Se tem dúvidas, vão até lá, acampem lá, pois vão precisar, porque agora não há mais uma única espécie a ser socorrida. Mas na Bauru-Ipaussu, ainda há algum tempo. Que tal esse advogado mover uma nova ação popular para impedir o progresso da região, duvido que haverá alguém que more ali que vá apoiar tal atitude.

Não sou a favor de retiradas de árvores sem necessidade e ainda, se necessária, com a devida compensação. Sou contra atitudes com pesos diferentes e provavelmente com viés político. Por isso queria que me fosse esclarecido se tal providência é contra a prefeitura ou é de fato pelo arrancamento das árvores? Se não é contra a prefeitura e sim pelo arrancamento das árvores, por que nada fez ou faz com relação aos arrancamentos das árvores das marginais? Será por que se trata de obras do ViaRondon, com autorização do Estado? Esse advogado moverá algum processo popular contra as mortes de mais de 100 árvores que morreram e estão prestes a morrerem a qualquer momento na Rondon ou na Bauru-Ipaussu?

Me esclareça, por favor, sou bom ouvinte e leitor, vocês podem me convencer.

O autor é colaborador de Opinião.

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