Bauru

Articulistas

Setembro Verde e o Dia Nacional da Doação de Órgãos

por Paula Dalsoglio Garcia

29/09/2021 - 05h00

Em 27 de setembro comemoramos o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Essa data visa a conscientização da população sobre esse tema tão importante e infelizmente revestido de muitos mitos que devem ser desconstruídos.

Esse é um tema difícil, já que falar sobre a morte nunca foi o assunto favorito da maioria da população. Porém, pensar que podemos ajudar o outro, mesmo depois de partirmos, é algo que merece ser evidenciado.

Ao contrário do que se acredita, deixar registrado em cartório ou em documento o desejo de ser ou não doador, não é a maneira correta de decidir sobre isso. Os únicos que podem ser responsáveis pela doação dos órgãos são os seus parentes de primeiro e segundo grau. Ou seja, seus parentes mais próximos, em um momento de muito sofrimento pela perda, deverão decidir sobre a doação ou não de órgãos. É uma situação delicada, porém, se você os avisar sobre o seu desejo de ser doador, o peso da decisão ficará menor.

Os familiares geralmente respeitam o desejo do paciente que partiu. Portanto, conversem sobre o seu desejo de doar os órgãos com seus familiares. Falar sobre isso não atrai a morte, apenas ameniza a dor da escolha de quem fica e ajuda aqueles que esperam na lista de transplantes de órgãos.

Segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) publicado em 2021 no site da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), temos 45.664 pacientes adultos e 865 crianças aguardando em lista de espera por um transplante de órgãos. O número de doações ainda não é suficiente e, infelizmente, a recusa familiar ainda é um problema no nosso país. As taxas de recusa familiar sempre giram em torno de 40%. Por isso é tão importante falarmos sobre esse tema.

Nós, da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), do Hospital de Base de Bauru, seguimos fazendo nosso melhor para garantir vida àqueles que ficam e também acolher as famílias que passam por esse doloroso processo de perda e doação. O empenho de todos os profissionais e setores do HBB que tornam esse processo possível tem sido fundamental, bem como o apoio total da diretoria nesta jornada diária. Agradecemos, em especial, às famílias, que são as grandes responsáveis pelas doações e que permitem que a vida continue, mesmo após o último suspiro.

A autora é nefrologista e coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do HB.

Ler matéria completa

×