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A crise da falta de água

por Jorge Alberto Soares

29/09/2021 - 05h00

Lendo a edição do JC desta terça-feira, 28/9, as notícias sobre a crise da falta d'água, o tom dramático das declarações do presidente do DAE e alguns outros detalhes chamam a atenção e não podem passar despercebidos.

Em primeiro lugar é inaceitável que declarações dessa magnitude da prefeita Suéllen e do presidente do DAE tenham acontecido em live no perfil particular de rede social da prefeita e não através da Prefeitura.

Em segundo lugar, o presidente do DAE não deveria ter anunciado que caso não haja grandes volumes de chuva haverá grande chance de colapso no abastecimento de água. Essas declarações desastrosas do presidente do DAE só servem para instalar um clima de insegurança e pânico na população.

Também não dá para aguentar mais essa ladainha de que a situação desastrosa atual é culpa dos prefeitos anteriores, etc etc. No meu entender, temos tido prefeitos que, cada um a seu modo, tentaram resolver os problemas da cidade, sempre com a melhor das intenções para acertar.

A atual administração municipal deveria sim é investigar e explicar por que em Bauru as bombas dos poços artesianos queimam com tanta frequência. Suspeito que haja algo muito errado nisso aí. O caso mais flagrante foi o poço recém-inaugurado da Praça Portugal cuja bomba queimou poucos dias após a inauguração. É um festival de queimas de bomba elétrica e, o que é pior: a demora prolongada, absurda, para substituir essas bombas!

Um outro absurdo, mais que um absurdo, é uma caso de crueldade, uma verdadeira desumanidade, é o cidadão comum que não consegue que o caminhão-pipa do DAE ponha água na caixa d'água da sua residência térrea! Há uns 40 ou 50 anos atrás não era assim. Você pedia um caminhão-pipa que chegava na sua casa, o ajudante de caminhão subia tranquilamente numa escada e enchia a sua caixa d'água sem nenhum problema. Bons tempos que não voltam mais. Que saudade!

Eu posso estar errado, mas não vejo motivos para pânico. É possível implementar algumas medidas eficazes a curto prazo, tais como melhorar a comunicação/interação do DAE com o público consumidor; fazer mutirões para estancar imediatamente os vazamentos de água nas ruas da cidade que têm demorado muito para serem consertados; acelerar a substituição das bombas elétricas queimadas.

Por outro lado, os institutos de meteorologia preveem chuvas significativas no Sudeste do mês de novembro para frente.

E, como dizia Carl Sagan, em tempos difíceis, tumultuosos, "é melhor acender uma vela do que praguejar contra a escuridão". Então deixo aqui uma pequena vela acesa, na esperança de que tempos melhores certamente hão de vir.

O autor é engenheiro, colaborador de Opinião.

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