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Há um futuro para educação?!

por Paulo César A. Ramos

03/10/2021 - 05h00

O processo de ensino-aprendizagem tem passado por muitos desafios, agravados principalmente pela pandemia da Covid-19. Toda essa crise no modelo educacional tem mostrado que é hora de repensarmos as políticas públicas educacionais, afinal, os jovens nem sequer conseguem ler e escrever razoavelmente, mesmo num mundo repleto de informações instantâneas.

Professores desmotivados, pais descrentes na importância da educação, coordenadores pedagógicos que quebram a cabeça tentando novos métodos a todo momento para tentar tornar o ensino mais atrativo. Afinal, o que fazer? Que tipo de educação estamos construindo? Nossa sociedade avança de forma acelerada no quesito de novas tecnologias, mas estamos usando-as a nosso favor?! Ou se tornou um meio de individualizar ainda mais o aluno?! Algo que deveria integrá-lo está, na verdade, afastando-se de seu propósito inicial.

Devemos buscar culpados? Acredito que não, isto nunca funcionou. Precisamos pensar as realidades sociais, pensar nas necessidades dos alunos e suas famílias, pensando sempre no melhor para determinada comunidade. Somente assim, pensando em toda atmosfera que envolve escola-aluno-professor, poderemos começar a ensinar. Educadores e governantes sem alternativas, repetindo métodos simplistas e mercantilistas, em busca do quê? Mão de obra para mercado de trabalho ou formação de cidadãos. O que realmente buscamos, atualmente, nas escolas? Que tipo de formação estamos interessados em oferecer? A quem interessa este modelo?

Sei que são muitas perguntas para um texto que deveria trazer resposta, entretanto, o mais primordial neste momento é questionar. "Se o mundo muda é porque o humano mudou e ao mudar o mundo o humano se transforma", sendo uma relação dialética com os instrumentos, definida pela psicologia Sócio histórica (Vygotsky). Devemos aproveitar os momentos de crise para repensarmos modelos existentes e aprender a fazer melhor uso das tecnologias a nosso favor. Talvez assim começaremos a construir uma escola voltada para formação de cidadãos e não apenas mão de obra servil e alienada dentro de uma sociedade desintegrada.

O autor é acadêmico de Psicologia.

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