Bauru

Articulistas

Welfare State, absorventes e o engodo estatal

por Guilherme Viega Francisco

13/10/2021 - 05h00

Recentemente, o Planalto vetou parte de um projeto de lei, de autoria da deputada Marília Arraes (PT-PE), que previa a distribuição gratuita de absorventes dentro de um programa de saúde menstrual. Está mais do que claro de que se trata de um caso de saúde pública, mas não apenas isso. É, também, uma questão profunda de caráter cultural e econômico.

Pelo que temos visto, parte significativa das manifestações são favoráveis à distribuição de tal insumo. Culturalmente, isto nos leva a crer que grande parte da sociedade acredita piamente que o estado é mesmo responsável pela distribuição gratuita de itens. Oras bolas, o estado não é, por assim dizer, uma au pair, que fornece tudo o que necessita uma criança, mas oferece algo que não comprou, sendo a conta paga pelos pais dessa criança. Em língua comum, o Estado é a au pair bondosa e os pais que pagam as contas são os contribuintes.

O Estado deve tratar de assuntos onde os particulares são ineficazes ou insuficientes. Educação, segurança, saúde básica e soberania são assuntos estatais. No entanto, a sociedade, com uma visão limitada, acredita mesmo que o estado deve oferecer tudo aos cidadãos. É o bem-estar social. Uma tese distorcida que já se mostrou ineficiente mundo afora.

O Estado deve concentra-se na educação básica e profissional, na criação de empregos, para que o cidadão não precise viver na tese do paternalismo ultrapassado e esperar tudo do governo. É preciso desburocratizar e incentivar empreendimentos e empreendedores, empresas privadas e a livre iniciativa. A melhor forma de distribuição de renda é o emprego. E só se tem um emprego crescente através da ampla concorrência, que barateia os produtos, gera competitividade e derruba os preços, favorecendo o consumidor final.

Um bom emprego se constrói com uma educação de qualidade, e educação é uma área onde o estado deve se concentrar, para que no futuro as próprias pessoas possam comprar seus absorventes, sem esperar a ajuda falaciosa do governo.

Enfim, melhorar a empregabilidade e a livre iniciativa, através de educação de qualidade e menos estado, é o que derrotará a pobreza e a concentração de renda.

O autor é acadêmico de Sociologia, médico.

Ler matéria completa

×