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Civilização e barbárie

por Carlos Russo Jr.

14/10/2021 - 05h00

A oposição entre civilização e barbárie é muito antiga. Nos séculos XVII e XVIII essa diferenciação recebe nova legitimidade e extensibilidade na filosofia dos Iluministas e será herdada pelos jacobinos na transição para o século XIX.

No século XX, entretanto, um limite é transgredido: passa-se a um nível superior de barbárie: a diferença é qualitativa! Trata-se de uma barbárie especificamente moderna, do ponto de vista de seu ethos, dos meios e da estrutura.

Dois autores foram os primeiros a soarem o sinal de alarme, em 1914/1915: Roxa Luxemburgo e Franz Kafka. Ao usar a palavra de ordem "socialismo ou barbárie", Rosa Luxemburgo rompeu com a concepção da história como progresso irresistível, inevitável, "garantido" pelas leis "objetivas" do desenvolvimento econômico ou da evolução social.

Por outro lado, as intuições do escritor Joseph Kafka são de uma natureza diferente. Sob a forma literária, ele descreve a nova barbárie. Ele desenvolve o tema numa novela absolutamente profética: "A colônia penal"!

Há poucos textos na literatura universal que apresentam de maneira tão penetrante a lógica mortífera da barbárie moderna como mecanismo impessoal.

Esses pressentimentos parecem se perder nos anos de pós-Primeira Guerra, mas não para Walter Benjamin! Ele é um dos raros pensadores a compreender que o progresso técnico e industrial pode ser portador de catástrofes sem precedentes. Daí seu pessimismo - não fatalista, mas ativo e revolucionário, frisa Löwy.

De todos os modos, a ideologia legitimadora da "barbárie de tipo moderna e pós-moderna" é pseudocientífica, racista, eugenista.

Nunca poderemos esquecer o Holocausto da Segunda Guerra Mundial. O genocídio dos judeus e dos ciganos é, como observa Bauman, um produto típico da cultura racional burocrática, que elimina da gestão administrativa toda interferência moral.

Convidamos à leitura deste ensaio em:

https://www.proust.com.br/post/kafka-luxemburgo-benjamin-e-bauman-a-modernidade-do-bárbaro-e-da-barbárie

O autor é membro do Espaço Literário Marcel Proust.

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