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'Alegoria da Caverna. A República'

por Rogério Medina

16/10/2021 - 05h00

Imagine um grupo de pessoas dentro de uma caverna, acorrentadas na mesma posição desde que nasceram, forçadas a olhar para a parede à sua frente. Vamos chamar esse grupo de "acorrentados". Eles não tinham conhecimento do mundo externo e do que existia ao seu arredor. Sua realidade resumia-se ao que podiam ver projetados na parede. Não sabiam, portanto, do fogo que ardia atrás deles ou da mureta entre eles e o fogo, ou do caminho ao longo da mureta. Pessoas atravessavam o caminho, carregando estátuas e outros objetos em frente ao fogo. Os acorrentados viam as sombras dos objetos projetados na parede à sua frente, que tomavam como sendo reais. Devido à sua incapacidade de olhar para trás e ver o que se passava, não podiam aprender a realidade, era uma grande ilusão.

Mesmo que pudessem ver o fogo, a dor e a cegueira cruzadas pela luz seriam tão severas que retornariam ao seu lugar de costume. Os acorrentados optaria por acreditar que as sombras que viam na parede da caverna eram mais reais do que a nova "verdade".

A moral disso é que o conhecimento tem um preço que nem todos querem pagar. Aprender requer coragem, já que pode levar a uma profunda e dolorosa mudança de perspectiva. É bem mais fácil nos apegarmos aos nossos valores, a uma visão acomodada e confortável da realidade, do que mudar o certo pelo incerto. O confronto com a "verdade" é um ato heroico, difícil de ser aprendido, dado que estamos acorrentados à nossa percepção sensorial, que nos proporciona apenas uma visão limitada da realidade.

Porém, quando podemos vislumbrar, somos forçados a concluir que, em todos os casos, é a fonte do que existe de mais brilhante, e belo do mundo do visível gerado pela Luz.

O autor é colaborador de Opinião

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