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Dia do Médico

por Helder Fernandes Aguiar

17/10/2021 - 05h00

Terminei a faculdade em 1983, na Faculdade de Medicina de Botucatu, Unesp (de tanto orgulho, não me canso de dizer isso), e, portanto, estarei passando amanhã o meu 37º Dia do Médico (18 de outubro) e, com toda certeza, o mais estranho deles.

No início da pandemia da Covid 19, após outdoors chamando médicos, enfermeiros, técnicos e outros como heróis, escrevi que não me sentia herói, mas alguém que escolheu uma profissão e tinha a obrigação de exercê-la da melhor maneira possível. Alguns foram para a "briga" contra a doença e o vírus, outros tantos se esconderam por um período, mas logo voltaram à ativa na linha de frente ou na retaguarda.

Nunca me senti tão acuado, vigiado, contestado como agora; todos são médicos; todos chegamos ao ponto de o presidente da CPI falar na frente de uma médica que ela estava mentindo e os remédios não eram eficazes para a doença. Se são ou não eficazes, não é um leigo que vai dizer; são discussões nos locais adequados: CRMs, APM, CFM e AMB.

Quantos medicamentos foram usados sem indicação na bula, ao longo do tempo? Se descobriu que remédio anti arrítmico estimula crescimento; que medicamento para incontinência urinária controla sudorese e tantos outros exemplos.

Mesas de jornalistas discutem tratamentos, dizendo que são eficazes ou ineficazes, porque leram aqui ou ali. Eu posso indicar ferro, areia, concreto para edificar uma obra porque li sobre o assunto? Tratar um dente, porque li um tratado de odontologia?

Pois é isso que estão fazendo em relação ao tratamento.

Alguns foram "linchados" por prescreverem determinado tratamento e outros por não prescreverem. Como suportar essa intromissão e ingerência na autonomia do médico? Alguns tiveram que se auto-exilar para regeneração física e psicológica. Que tempos sombrios. Pensaram em chamar o presidente do CFM para explicar na CPI e esse agora consta como investigado na CPI, porque defendia a autonomia do médico em relação à sua conduta, um absurdo!

Se houve pesquisa com medicamentos sem aprovação da comissão de ética e sem o devido esclarecimento e consentimento, em qualquer instituição, que se esclareça e se puna, caso exista a devida constatação de erro. Há radicalização de todo lado; absurdos em relação à vacinação, ao uso indiscriminado de medicamentos preventivos e até a negação completa de medicações e cuidados paliativos.

Só desejo liberdade aos médicos e que suas condutas e eventuais erros, e existem erros, claro, culposos ou dolosos, sejam apurados e julgados nos devidos órgãos, como sempre foi feito.

Os CRMs sempre estiveram atentos às práticas médicas e nunca se omitiu, punindo através de censuras públicas, suspensões e cassações de licença para trabalhar.

O médico precisa ter liberdade para respirar e trabalhar em paz!

Que no próximo Dia do Médico tenhamos motivos para comemorar o respeito pelo trabalho médico.

 O autor é médico otorrinolaringologista

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