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Economia brasileira não é para amadores

por Reinaldo Cafeo

21/10/2021 - 05h00

É inquestionável: entender, interpretar, analisar e projetar a economia brasileira não é coisa para amadores. O cenário econômico que se apresentava para este momento de retomada diante da queda expressiva de número de casos e mortes por Covid-19 seria mais simples, contudo, o ambiente interno acaba gerando uma complexidade que não há quem possa indicar com algum nível de certeza o que é possível esperar dos principais indicadores econômicos da economia brasileira.

Vamos aos fatos. A inflação é uma preocupação mundial, inclusive no todo poderoso Estados Unidos, mas aqui no Brasil a alta de preços é potencializada. Em alguns países o aumento médio dos preços, medido pelos índices de inflação, é de um a dois pontos percentuais. Aqui no Brasil chega a mais que dobrar a meta fixada pelo próprio governo.

Em boa parte do mundo o crescimento econômico é consistente. Mês a mês o desempenho é positivo, gerando previsibilidade aos agentes econômicos. Aqui no Brasil continuamos no voo da galinha: ora a economia tem expansão, ora retração. A taxa de juros nos países mais desenvolvidos, quando sobem, variam de meio a um ponto percentual. No Brasil saltamos de 2% ao ano para 6,25% ao ano, com viés de alta.

Outra importante variável é a taxa de câmbio. Pouco importa o bom desempenho das exportações brasileiras. Mesmo com resultados robustos na balança comercial, a realidade é que a cotação da moeda norte-americana disparou. Neste particular somos ávidos em provocar incertezas, em potencializar riscos internos: tensão política, aventura fiscal, CPI descontrolada, insegurança jurídica, entre outros fatores "made in Brazil", fazem com que os investidores se retraiam e busquem proteção, isso sem contar a não chegada de capital estrangeiro para investimento no setor produtivo. Dólar em alta, gera aumento de custos de produção, que gera inflação, que gera aumento nos juros, que retrai a economia. Triste relação entre as principais variáveis macroeconômicas.

Este quadro traz como resultado em algo que é também potencializado no Brasil: o número de desempregados, o crescimento da informalidade, de desalentados, dos subutilizados e o achatamento na renda das famílias. O endividamento familiar é das consequências observadas, sem contar o crescimento da miséria. Também o empreendedor sofre as consequências deste ambiente de incertezas: não conseguem capital de giro, quando conseguem é caro, e sem um ambiente de negócios favorável, faz tripas coração para se segurar no mercado.

É certo que dificilmente teremos no Brasil um ambiente econômico que elevada previsibilidade, mas é certo também que os atores envolvidos na condução da política e da própria economia, poderiam ao menos ajudar a reduzir as incertezas do mercado. Já seria uma grande contribuição, mas não é isso que se observa.

Diante disso tudo, a conclusão é: efetivamente, operar a economia brasileira não é para amadores.

O autor é economista, presidente da Acib. Âncora/comentarista do Cidade 360º.

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