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DAE: vender ou vencer?

por Arnaldo Ribeiro

20/11/2021 - 05h00

Assunto do momento, razão dos problemas enfrentados pelos moradores de nossa Bauru com relação aos serviços prestados pelo DAE, no combate (ou na falta de) em relação aos vazamentos, no combate (ou na falta de) em relação às perdas, na reposição (ou na falta de) asfalto, algumas das deficiências que podem ser notadas. Mas nos dias atuais, a falta de água provocada pelo rodízio estabelecido face ao volume do Rio Batalha, insuficiente para manter o abastecimento dos setores por ele servidos, ganha importância significativa. É certo que a falta de chuvas em muito contribui para toda essa situação. Também é certo que se se for atribuir culpa a algum ente público, não poderá ser atribuída exclusivamente aos atuais mandatários: o presidente do DAE e, por extensão, à prefeita municipal. Afinal, forçoso reconhecer que a situação a cada ano que passa vem tomando cores de maior gravidade. Mas também de se reconhecer que ora quem detém o dever de tomar providências é quem está no comando das instituições: Prefeitura e DAE.

Existe, desde 2015, dormitando em alguma gaveta do DAE, trabalho elaborado por profissional reconhecidamente competente, o Plano Diretor de Águas. Dentre outras ações, aponta pela necessidade de perfuração de poços, troca do parque de hidrômetros, combate aos vazamentos e, ainda, da maior importância, a construção de uma nova captação de água, 22 km abaixo da atual, para que em conjunto com esta possa oferecer a garantia, mesmo na estiagem, da retirada de água do rio em volume suficiente a abastecer a cidade. E a atual administração já caminha para um ano de mandato. Em sua campanha, a senhora prefeita prometeu solucionar o problema de abastecimento de água de nossa cidade. Das demandas acima relacionadas, tem-se, de forma concreta, apenas e tão somente a perfuração e operação, depois de longa e triste novela, do poço da Praça Portugal. Ainda assim, seu projeto previa produção de 180 m3 de água por hora. Noticia-se que está a produzir apenas 110 m3/h. Sobre essa diferença e quanto à explicação para tão grande diferença, silencio sepulcral. Também há mais de dois meses, iniciou-se a perfuração do poço Shopping. As máquinas já foram retiradas do local e quanto ao início de sua operação, idem: silêncio sepulcral.

Noticiou-se ainda o início da perfuração de um terceiro poço, na Vila Falcão. Os três sendo perfurados pela mesma empresa. Em relação ao apontado aos outros dois, algum problema com a execução/perfuração? Nada se disse, e nós, aqui de fora, mas de dentro de nossa cidade, nada sabemos. Em função de todo isso, muitos advogam pela privatização do DAE como solução a todos os problemas ora enfrentados. Porém, para melhor nos posicionarmos em relação a isso, necessária a pergunta: em nossa cidade já tivemos outras privatizações: a da ferrovia seria um bom exemplo, podemos afirmar que houve melhoria nos serviços prestados? Em que melhorou nossa malha ferroviária? Já em âmbito nacional, tem-se os exemplos da privatização da Companhia Vale do Rio Doce e os desastres de Mariana e Brumadinho, com enormes prejuízos ambientais e perdas de tantas vidas. Foi válido privatizar?

Após isso, há que se perguntar: a privatização é a solução? Ou exigir gestão eficiente dos dirigentes, com gestores competentes que apresentem resultados, seria a melhor solução? Por que o DAE no passado foi conhecido como a "Joia da Coroa" e não é possível voltar a sê-lo no modelo atual de gestão? Reflitamos, para tanto, sopesemos emoção e razão, em equilíbrio. Enquanto escrevo, começou a chover, sentimentos de alívio e gratidão ao Pai.

 O autor é jornalista/contador, ex-secretário de governo e acadêmico de Gestão Pública.

 

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