Bauru

Articulistas

A memória nos livros

por Adilson Roberto Gonçalves

31/12/2021 - 05h00

Claudia Costin, em coluna recente na Folha de S. Paulo, escolheu com primazia três importantes livros sobre a pandemia: "Contra a realidade", de Natália Pasterak e Carlos Orsi; "Um tempo para não esquecer", de Margareth Dalcolmo; e "Duas ideias filosóficas e a pandemia", de Renato Janine Ribeiro. Todos esses autores são expoentes em suas linhas de atuação e tiveram papel de destaque ao longo dos dois anos da pandemia por meio de entrevistas, depoimentos e canais de divulgação científica. Há muitas pessoas que terão problemas nas reuniões familiares deste fim de ano, agregando-se com negacionistas; mas, no meu caso, os parentes próximos e as pessoas que realmente importam possuem cérebro. Tanto é que uma das sugestões de livro de Claudia Costin está também na lista de amigo secreto.

Já Ruth Guimarães, madrinha de nossa Academia de Letras de Lorena, é expressão da brasilidade caipira, regional, além da negritude; venceu barreiras para ser a primeira escritora negra que conseguiu projeção. Até a Fuvest reconheceu sua importância e introduziu sua obra "Água funda" na lista dos livros obrigatórios para os vestibulares futuros.

Quanto a leituras mais clássicas, sigo a recomendação de Ruy Castro que rememora "Em busca do tempo perdido", de Marcel Proust, quanto ao disparo de reminiscências feito pela degustação de um biscoitinho, elemento importante do livro. Brilhante!

Mas creio que outros petiscos e guloseimas deveriam ser testados para despertar de forma mais duradoura a memória afetiva em terra brasilis.

Eu arriscaria e começaria com a rosca doce com café de minha avó paterna.

O autor é pesquisador na Unesp - Rio Claro.

 

Ler matéria completa

×