Bauru

Articulistas

O Homem entre o amor e o ódio

por Maria América Ferreira

11/01/2022 - 05h00

O ódio sempre existiu, assim como a violência, a inveja, a maldade, a hipocrisia, a submissão e também o amor, a solidariedade, a devoção, a piedade, a bondade, a gentileza e a tolerância. Esses sentimentos são inerentes à humanidade. O que muda, então, que leva a pensar que as pessoas estão cada vez piores? Talvez a exposição desses sentimentos. Quando não existiam redes sociais, tudo era exatamente igual, apenas com a diferença de que os atos eram escondidos. Ninguém ficava sabendo o que acontecia 'entre quatro paredes'. Se alguma coisa escapava era suficiente para criar o maior alvoroço na comunidade.

E hoje, o que acontece é que a exposição da vida de todos nas redes sociais instiga os seres ruins a agir da pior maneira possível e os bons de tentar apaziguar tudo. Isso passa por gerações. Quem não se lembra da famosa história de Romeu e Julieta, entre outras, que por muito tempo multiplicaram o ódio. E também há histórias de amor, como a própria de Romeu e Julieta. Enfim, esse relato é apenas para uma reflexão de que o mundo hoje, não é muito diferente do que era antes, apenas está tudo exposto. Então, essa jogada de amor e ódio é o que alimenta as redes sociais e acaba extrapolando para a vida real. Sempre houve disputa política e, até hoje, vez ou outra, encomendam a morte de um adversário. Sempre houve violência doméstica, só que ficava tudo trancado a sete chaves. E essas são situações que acontecem desde o começo dos tempos com o surgimento do Homem.

O mais triste de tudo é que, justamente quando se tem a oportunidade de uma transformação, o ser humano mostra a índole cada vez mais assustadora. Em nome de uma postura hipócrita de que as coisas são feitas para o bem comum, se instala o caos. Inversão de valores, falta de respeito, inveja, maldade e tudo de ruim prevalece entre seres, que se esquecem de que não são eternos. As pessoas perderam a noção de convivência e cada um se sente no direito de sair por aí agredindo e desrespeitando a opinião do outro. Todos querem ser donos da verdade. Há um prazer mórbido em dar palpites na vida alheia.

Em nome da pseudodemocracia até a censura ressurge nas redes sociais, travestida de liberdade de expressão. Isso não seria uma forma de ditadura a ser imposta pelos inconformados? O que se espera é que a população entenda essas tentativas de uma minoria, de surrupiar a liberdade de manifestação da maioria.

A autora é jornalista, colabora com Opinião.

 

Ler matéria completa

×