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O tripé macroeconômico

por Reinaldo Cafeo

13/01/2022 - 05h00

O Brasil em seu modelo econômico adota o chamado tripé macroeconômico e iguala o país às principais economias capitalistas do mundo, ou seja, possuir meta fiscal, praticar câmbio flutuante e ter metas de inflação. Mesmo questionada a execução fiscal, com a adoção do conceito de Teto de Gastos, há em parte vigilância fiscal. O câmbio, mesmo com eventuais intervenções do Banco Central, é flutuante e há muito o país adota metas de inflação.

Quero fazer um recorte nas metas de inflação. A meta central fixada pelo Conselho Monetário Nacional e tendo que ser praticada pelo Banco Central brasileiro foi de 3,75% para 2021, tendo como tolerância a variação, para cima ou para baixo, de 1,5 ponto percentual. Desta maneira, a inflação do ano passado deveria ser de no máximo 5,25%. Com a divulgação do índice oficial de inflação (IPCA) de dezembro, que ficou em 0,73%, em 2021 o índice acumulou 10,06%, maior patamar desde 2015, portanto, 4,81 pontos percentuais ou 91,6% acima do limite máximo fixado.

Diante disso o presidente do Banco Central precisou se justificar ao Ministério da Economia. Em sua carta, Campos Neto indicou o que já sabíamos: preços em Reais em alta devido ao aumento no preço dos alimentos, da energia, do combustível, das commodities de uma forma geral, e ainda o desequilíbrio entre oferta e procura impactando importantes insumos na formação dos preços na cadeia produtiva.

Voltando ao tripé macroeconômico, e mantendo o foco na inflação, a meta para este ano é de 3,5%, podendo no máximo chegar a 5,0%. Este é o compromisso. O mercado, através do Boletim Focus, projeta inflação um pouco acima deste patamar: 5,03%. Outros estudos apontam para uma inflação mais perto de 6%.

Observem que o desafio não é pouco. Se tomarmos o último índice, o de dezembro, a inflação neste ano seria de 9,12%. É evidente que dificilmente o índice se repetirá todos os meses, mas também é certo que é preciso ocorrer a desinflação, isto, a média dos preços ou tem que parar de subir ou começar a cair. Sem isso, será novamente um ano sem cumprir a meta de inflação, o que levaria a um descrédito na condução, principalmente da política monetária.

Por este prisma, tudo indica que os juros subirão, principalmente nas primeiras reuniões do Comitê de Política, sendo que a primeira reunião será no início de fevereiro e as demais em um intervalo aproximado de 45 dias. Assim, projetar uma taxa básica de juros na casa dos 11,5% a 11,75% para este ano é factível.

A questão que se apresenta é: somente a política monetária será suficiente para conter a inflação? A resposta: não. O rigor fiscal, que faz parte do tripé macroeconômico também precisa continuar, para que o nível do risco/país seja menor, também evitando que o câmbio seja afetado por um eventual risco mais elevado. Observem o tripé se entrelaçando e se bem monitorados, podem ser um caminho para a estabilidade pretendida.

O primeiro trimestre deste ano será decisivo para que tudo seja clareado. Ser rigoroso na condução das variáveis que impactam tripé macroeconômico é o caminho para que as coisas voltem a normalidade.

O autor é economista, presidente da Acib. Âncora/comentarista do Cidade 360º.

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