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Máscara ou Coroa!

por Professor Sinuhe

01/05/2022 - 05h00

Sigmund não olhou no espelho durante a pandemia, sempre teve curiosidade de como as pessoas o viam , mas cada vez que se contemplava via um ser diferente! Em tempos pandêmicos, usava máscara, ninguém poderia lhe ver a boca, o nariz, os dentes, estava escondido do real, estava introspectivo, escondido!

Chegava aos locais e podia esconder seu sorriso triste, seus dentes amarelecidos pelas seis décadas e seu enorme nariz que sempre lhe rendeu escárnios e piadinhas infames Acompanhava os noticiários e via que a pandemia podia, a qualquer momento, não ser mais tormento, podia, finalmente, acabar!

Orava a todo momento pela redução do número de mortes, amava a vida, amigos e amigas, mas desconfiava de todos, o que seria que achavam dele?

Estava como um carro encostado em um estacionamento, via os novos, seminovos, usados irem embora, mas ele, metaforicamente, era aquele veículo que ninguém compraria! Quando lhe perguntavam a idade, falava cinco anos a mais para as pessoas responderem com o trivial: "não parece ". Chegou, finalmente, para tal mente, afinal, o fim da pandemia!

Sigmund tirou a máscara, saiu às ruas, olhava as pessoas, queria ler seus pensamentos, entrou em um shopping, foi ao sanitário, olhou- se no espelho, achou-se coroa, viu seus lábios mais trêmulos, quantas bocas havia beijado ao som de Bee Gees, Elton John, Cartola, Elis Regina, como fora feliz! Seu nariz parecia ter crescido na pandemia, cheirava com dificuldade, apesar do latifúndio e narinas, assumiu de vez, não ficaria de lado, apesar de todo o mundo, atualmente, só pensar em perfil!

Por fim, olhou os dentes, tinham dilacerado as melhores ou piores carnes, trituraram verduras e canas, tremeram de frio, de medo, tiveram as pontas quebradas. mas o dentista as consertara!

Percebeu que há minutos, olhava-se no espelho, pessoas lavavam as mãos ao seu lado, lavavam as mãos quanto ao problema dele e sua velhice! Sigmund colocou a máscara, sentiu-se um super-herói, saiu do shopping, as pessoas e as ruas olhavam-no como um alienígena, sentia-se um estranho no ninho, mas melhor impossível ser Jack Nicholson do que Cristiano Ronaldo!

O autor é o Professor Sinuhe, “mascarado desde sempre!”

 

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