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ESG é tema de sindicato? É sim!

por Eduardo Annunciato (Chicão)

11/05/2022 - 05h00

Muito explorada, a sigla ESG (Environmental, Social e Governance), em português: Ambiental, Social e Governança, não pode se tornar apenas retórica ou modismo. O assunto é sério. As empresas que não adotarem práticas sustentáveis e que não se esforçarem para, através de sua atividade e de seus produtos, gerarem o menor impacto ambiental possível, estarão literalmente fora do mercado. Em nosso segmento, com mais de 160 mil trabalhadores dos 3 setores (Energia, Água e Meio Ambiente) existe a conscientização da importância da preservação, que exige das empresas a implementação de políticas sociais, ambientais e corporativas de verdade. A luta sindical no século XXI será pautada pelo fim do chamado "greenwashing", ou seja, pelo fim de uma narrativa vazia das corporações sobre as referidas temáticas.

O mercado e a sociedade exigem compromissos sérios das empresas e não há no momento instituições mais preparadas que os sindicatos para esse enfrentamento, ou alguém acredita que CEOs que ganham bônus astronômicos serão de fato agentes de mudança, renunciando às suas polpudas bonificações, em detrimento de decisões cujos frutos serão colhidos por outros gestores? O movimento sindical, tão atacado nos últimos anos, pode ser o "fiel da balança" desse novo mundo, onde os trabalhadores buscam qualidade de vida, onde cidadãos exigem respeito pelo meio ambiente na produção industrial e consumidores exigem transparência das corporações. A tensão entre capital e trabalho há tempos não era tão favorável a um novo tipo de sindicato que se insere numa revolução silenciosa das pessoas, num movimento que vem sendo chamado de "A Grande Resignação". Em teoria, acho que já falei o suficiente, agora vamos a exemplos práticos no Brasil e no mundo:

Nos EUA, 3 instituições financeiras- Wells Fargo, Bank of America e Citi, signatários do Net-Zero Banking Alliance (iniciativa que se compromete com a descarbonização dos investimentos até 2050) tiveram rechaçadas as propostas para que não financiassem setores controversos e desalinhados da responsabilidade climática, apenas 10% dos acionistas votaram a favor da responsabilidade. No Brasil, o Ministério da Justiça e o Procon notificaram o McDonald's que estava vendendo um sanduíche chamado Mc Picanha, que de picanha só tinha o aroma do molho. Mas no nosso país não para por aí, a Vale foi acusada pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA de fazer declarações falsas sobre a segurança de suas barragens. A conta chegará e não sairá barata. Essas informações foram obtidas junto à Newsletter ESG -Direto ao Ponto, de Fabio Alperowitch, que sabiamente sugere a mudança de significado do acrônimo ESG para "Eu Sou Ganancioso".

Ninguém sabe combater melhor a "ganância" de poucos, do que os sindicatos que ajudaram a construir as bases da economia de um país moderno, elevando junto a qualidade de vida de milhões de trabalhadores que formaram seus filhos e netos, com oportunidades inéditas para o trabalhador médio brasileiro.

O autor é presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente.

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