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Em busca da tão esperada desinflação

por Reinaldo Cafeo

12/05/2022 - 05h00

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), subiu 1,06% em abril, acumulando 12,13% em doze meses. Os dados são do IBGE. O vilão mais uma vez foi a alta nos preços dos combustíveis, sendo que no mês passado a queda no custo da energia ajudou a trazer a inflação para baixo.

Para conter a alta de preços, que ocorre praticamente no mundo todo (pandemia conflito entre Rússia e Ucrânia), os Bancos Centrais pelo mundo afora passaram a praticar uma política monetária mais restritiva.

Nesta linha, recentemente o Brasil e os Estados Unidos elevaram suas taxas básicas de juros. Aqui no Brasil a alta foi de 1,0 ponto percentual e nos Estados Unidos de 0,5 ponto percentual.

Mesmo com as ações firmes das Autoridades Monetárias para conter a escalada de preços, não há no horizonte nada que aponte para deflação, ou seja, inflação negativa. A expectativa é que ocorra a chamada desinflação, isto é, os preços sobem, em média, mas em uma velocidade menor. Se isso ocorrer, quando analisarmos a inflação acumulada em 12 meses, índices menores daqui para frente substituirão índices maiores lá de trás. Além disso, o Brasil e outros países capitalistas no mundo, adotam o regime de metas de inflação, portanto, o olhar será sempre para o futuro, ou seja, as decisões de hoje visando combater a inflação trarão reflexos nos próximos meses.

Todos sabemos dos malefícios para economia e em especial aos mais pobres quando os preços estão elevados. O poder aquisitivo cai, e começa a ser realidade a precarização no consumo, notadamente em relação aos produtos básicos, os alimentos.

É verdade que política monetária restritiva é inibidora de crescimento econômico, contudo, é preciso combater o mal maior e neste caso, este mal maior é a inflação.

Espera-se que a desinflação em curso seja efetiva e que, logo que os preços se acomodem, os instrumentos de política econômica sejam utilizados para gerar riqueza, emprego e renda.

Teremos pela frente um tempo para que isso ocorra de maneira efetiva e estabeleça tendência. Até lá o soberano consumidor terá que fazer sua parte, reduzindo, quando puder, a quantidade consumida, e ainda buscar bens inferiores que são substitutos naturais dos bens normais e principalmente dos supérfluos.

Continuamos em busca e a espera da tão esperada desinflação.

O autor é economista, presidente da Acib. Âncora/comentarista do Cidade 360º.

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