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Institutos de pesquisa paulistas: Centrinho poderia ser um deles

por Alberto Consolaro

15/05/2022 - 05h00

Em alguns países a ciência e tecnologia são desenvolvidas em institutos de pesquisas. Os pesquisadores têm carreiras de acordo com a qualificação e graus obtidos em mestrados e doutorados, além da produção científica anual.

Em outros países, a pesquisa é realizada nas universidades e os professores também assumem o papel de cientistas. Na carreira dos professores se conta muito a produção de trabalhos científicos, além do desempenho acadêmico na formação de pessoas.

No Brasil, pesquisas têm se avantajado nos institutos de pesquisa e em alguns destes se tem uma estrutura ambulatorial, laboratorial e clínica hospitalar, pois, às vezes, os trabalhos são realizados em pacientes e abordam doenças que afetam a população.

Desde 1965 se tem a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, na qual estão subordinados os 18 institutos de pesquisa do Estado, cada um com sua independência funcional. Cada instituto tem um representante nato no Conselho das Instituições de Pesquisa do Estado de São Paulo - Consip - vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico.

O Consip cuida dos assuntos relativos à ciência, tecnologia e inovação dentro das instituições de pesquisa Paulista e foi criado através de Decreto editado em 1989. A sua composição atual é estabelecida pelo Decreto n.º 62.597, de 25 de maio de 2017.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico exerce um papel fundamental para o crescimento econômico e trabalha para atrair investimentos, fomentar o empreendedorismo, a inovação tecnológica, além de oferecer qualificação profissional de acordo com as demandas atuais e futuras do mercado de trabalho.

Os 18 Institutos de Pesquisa que compõe este Conselho como membros natos, além do Secretário de Estado que o preside, são: 1- Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios; 2- Instituto Adolfo Lutz; 3- Instituto Agronômico; 4- Instituto Biológico, 5- Instituto Butantan; 6- Instituto "Dante Pazzanese" de Cardiologia; 7-Instituto de Botânica; 8- Instituto de Economia Agrícola; 9-Instituto de Pesca; 10- Instituto de Saúde; 11- Instituto de Tecnologia de Alimentos; 12- Instituto de Zootecnia; 13-Instituto Florestal; 14- Instituto Geográfico e Cartográfico; 15- Instituto Geológico; 16- Instituto Lauro de Souza Lima; 17- Instituto Pasteur; 18- Laboratórios de Investigação Médica.

Ainda são membros titulares deste conselho um representante da Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral; da Fapesp; do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN; do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo e da Superintendência de Controle de Endemias.

À Secretaria do Desenvolvimento Econômico estão vinculados a USP, Unicamp, Unesp, Fapesp, Univesp, Faculdade de Medicina de Marília e de Rio Preto, Centro Paula Souza, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares ou IPEN, Instituto de Pesquisas Tecnológicas ou IPT e a Junta Comercial do Estado de São Paulo.

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) poderia se transformar em um instituto de pesquisa Paulista com a finalidade de pesquisar as causas e formas de diagnóstico e tratamento das anomalias, displasias e síndromes que assolam a população, o que já o faz com excelência.

Em Bauru, o Hospital Lauro de Souza Lima, em tempos remotos, foi voltado exclusivamente ao atendimento valoroso de pacientes hansenianos. Já há algum tempo o transformado Instituto de Pesquisa Lauro de Souza Lima vem contribuindo para o progresso da pesquisa brasileira em dermatologia e doenças infecciosas.

As lideranças bauruenses e estaduais deveriam entrar em negociações e entendimentos com o Secretaria de Desenvolvimento Econômico e o governador do Estado para transformar o "Centrinho" em um dos Institutos de Pesquisa Paulista. A reestruturação interna do Centrinho em Instituto de Pesquisa Paulista geraria um custo mínimo e um tempo muito pequeno, visto que ele já existe solidificado e funcionando há muito tempo. Além das pesquisas que sempre fez, o Centrinho já representa uma fonte de atendimento de pacientes com anomalias, displasias e síndromes e, ao mesmo tempo, fazem parte de estudos e pesquisas para aperfeiçoar técnicas e tratamentos dos futuros pacientes em todo país.

Talvez esta singela sugestão solucionasse inúmeras questões com o fortalecimento e readequação de um patrimônio já instalado. Quem ganharia seria o povo brasileiro que teria um local para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas dos acometidos, por exemplo, pelas Fissuras Labiopalatinas.

Para isso, que algumas lideranças políticas, científicas e sociais abracem esta ideia e a apresentem esta possibilidade ao Secretário de Estado e ao governador de São Paulo.

O autor é professor titular da USP e colunista de Ciências do JCNET.

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