Bauru

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Aeroporto - breve histórico

por Roberto Purini

20/05/2022 - 05h00

Quando fui eleito deputado estadual, em 1978, já se previa a inviabilidade do desenvolvimento, a médio e longo prazo, do aeroporto que, até então, nos servia. Tal constatação se fez na elaboração do Plano Aeroviário do Estado de São Paulo - Paesp e foi ratificado nos estudos preliminares executados pela então Comissão de Estudos e Coordenação da Infraestrutura Aeronáutica - Cecia. Aí se constatavam, já na ocasião, as restrições para a operação aérea dos vários segmentos da aviação civil e militar que demandavam a região.

O crescente envolvimento das instalações aeroportuárias pela malha urbana já demonstrava as incompatibilidades funcionais e espaciais entre o aeródromo e seu entorno. Estava, pois, estabelecido o desafio objetivo: a necessidade concreta de um trabalho visando à construção de um novo aeroporto. Na ocasião, não me ocorria que a luta pudesse durar tantos anos. Quase vinte, ao todo até o seu início. "Mas tudo é possível ao que crê" - Marcos 9:23. Assim, uma das minhas primeiras iniciativas parlamentares como deputado estadual foi propor, através da indicação 196 endereçada ao então governador do Estado dr. Paulo Salim Maluf, estudos urgentes para construção do novo aeroporto de Bauru. Em 8 de maio de 1979, protocolei junto à mesa da Assembleia Legislativa de São Paulo a referida indicação.

Os estudos técnicos do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) ficaram prontos em 19 de Junho de 1987 já no governo de Orestes Quércia. Chegou o momento da escolha do "sítio" que melhores condições oferecia para instalação do Novo Aeroporto. Foram indicadas sete áreas de acordo com os estudos do EIA - RIMA: estudos de impacto ambiental que resultou no Relatório de Impacto Ambiental.

Para escolha do melhor local foram consideradas alternativas que levaram em conta os seguintes requisitos: área, uso do solo, acesso, infraestrutura, topografia, geologia, distância, meteorologia e custos. Dessa classificação resultou que o sítio Bom Retiro era o que melhores condições reunia para instalação e funcionamento de equipamentos de proteção ao voo e auxílio à navegação. Dos 500 hectares do sítio Bom Retiro, 2.713.777,43m² (dois milhões, setecentos e treze mil, setecentos e setenta e sete metros e 43 centímetros) pertencentes ao município de Bauru e 1.774.712,67 m² (um milhão, setecentos e setenta e quatro mil e setecentos e e doze metros e sessenta e sete centímetros) ao município de Arealva. Por esse motivo se anuncia Aeroporto Bauru-Arealva.

Importância do Aeroporto: região central do estado, situa-se na sede da região estadual, atenderá a crescente industrialização e comércio da região, continuaria atendendo à demanda de conexões das empresas aéreas, situa-se na rota de aeronaves de médio e grande porte, conexão com Mercosul, conexão com o transporte hidroviário "terminal intermodal". O anúncio da ampliação da atual pista em 300 metros confirma o que está contido no projeto original, que menciona entre outras tantas construções como necessárias para transformá-lo em um Aeroporto de porte internacional para cargas e passageiros.

Saliente-se que o construído, até agora, com valores acima de 50 milhões de reais, em meados de 1997, não custou um centavo ao município de Bauru, pois os recursos foram provenientes do governo federal através Programa Federal de Auxílio aos Aeroportos - PROFAA e subvenções do governo estadual. Oxalá, a reunião prevista para hoje entre autoridades e empresários possa resultar em notícias auspiciosas. Praza aos céus que como anunciou o ceo da concessionária, o aeroporto possa decolar com recursos suficientes da VOA. Nossa torcida é no sentido de que possamos ver essa obra concluída totalmente em breve tempo.

Como diria o saudoso colega, jornalista e amigo dr. Célio Gonçalves: Oremos!

O autor é ex-deputado estadual por Bauru.

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